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sábado, 19 de dezembro de 2009

Normalidade


Estamos fechando outro ano e os números do desempenho dos vinhos brasileiros em relação aos importados demonstram que aparentemente o mercado está retomando a normalidade. Porque devem concordar comigo que 75% do volume total vendido ser de vinhos importados, muitos deles baratos e ruins, não é normal.
Foi uma situação temporária resultante de alguns fatores que tentarei relacionar:

Fatores que explicam o crescimento dos importados em relação aos nacionais
1) Abertura econômica total após décadas de mercado fechado. Menos impostos, menos travas, mais competitividade dos produtos importados. Apesar de todas estas vantagens o setor importador, que não estava preparado para tomar as melhores decisões que atendessem adequadamente a equação "preço x qualidade", começou a oferecer uma enorme quantidade de produtos de todo nível qualitativo e de preço. Os mais baratos ocuparam um enorme espaço rapidamente.
2) Entrada ao mercado de novos consumidores, pouco habituados ao consumo de vinhos e espumantes e por isso incapazes de diferenciar gato de lebre. Isto justifica porque as porcarias citadas antes se venderam muito bem e continuam se vendendo, agora em menor quantidade.
3) Deslumbramento deste novo consumidor ante o produto "estrangeiro" , considerado sempre melhor.
4) Bobeira generalizada do setor produtivo brasileiro acostumado às benesses do protecionismo e incapaz de perceber a tempo a grande mudança que estava acontecendo.
5) Desequilibro competitivo do Brasil em relação aos outros países, em especial os vizinhos como Argentina e Chile. A carga impositiva do Brasil, uma das mais altas do mundo, somada a arrogância do setor, permitiram o rápido crescimento dos vinhos importados e a queda dos nacionais até atingir o absurdo porcentual de 75% - 25%
6) A presença crescente de vizinhos como Argentina e Chile que possuem excelentes condições para produzir bons e baratos vinhos tintos, tipo mais consumido na última década.

Fatores que justificam o inicio da recuperação dos nacionais
1) Evolução do consumidor: O apreciador que descobre o vinho e o reconhece como bebida prazerosa e gastronômica passa, com o hábito de consumo, a evolucionar, aperfeiçoar seu paladar sabendo identificar as características dos vinhos bons. Devido à baixa graduação alcoólica que possibilita sentir com facilidade os componentes aromáticos e gustativos, o novo consumidor progride, é mais exigente a cada dia. Esta evolução está sendo determinante na queda do volume dos importados, alguns deles de qualidade deplorável.
2) Abuso dos importadores brasileiros: As redes de supermercados, responsáveis pela maior parte das vendas, entraram no mercado importador com o critério que prevalece neste canal de distribuição: preço. Como neste quesito ninguém faz milagres, a qualidade caiu proporcionalmente aos preços afetando a imagem dos vinhos de alguns países.
3) O setor produtivo brasileiro parece acordar: Houve uma reconhecida melhora na oferta de vinhos nacionais seja na qualidade como nos preços. Novas variedades, novas regiões produtivas, mudanças nas técnicas de elaboração com o abandono do excessivo intervencionismo e a presença de madeira.
4) Atuação forte do Instituto Brasileiro do Vinho - IBRAVIN, que parece ter se liberado da má influencia e da politicagem de uma entidade de classe "predadora" que formava parte de seu Conselho. Uma equipe dinâmica e focada com profissionais como Carlos Paviani no comando geral e Diego Bertolini no marketing, tem conseguido fazer ações inteligentes e efetivas além de colocado na rua uma agressiva campanha publicitária.
5)A conseqüência de todos estes fatores está sendo o aumento da confiança do consumidor no produto nacional.

Agora é só continuar neste longo caminho de recuperação. Com certeza o mercado, que continuara crescendo devido aos atributos do vinho, reservará um bom espaço aos bons e honestos vinhos brasileiros.
Os espumantes? Sempre afirmo que o Brasil, devido a sua maravilhosa condição geográfica e climatológica onde predomina seu rico e sedutor litoral, está condenado a beber espumantes com freqüência. Como enfrentar um prato de camarão, peixe, lagosta ou frutos do mar numa praia ensolarada sem sentir necessidade de acompanhar-lo com uma taça de fresco e borbulhante espumante brasileiro?

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Reputação


As regiões vitivinicolas demarcadas conhecidas na Itália, Espanha e Portugal pela sigla D.O.C e na França A.O.C. que significam Denominação de Origem Controlada, respondem ao seguinte fundamento: todos os produtos elaborados dentro de uma área geograficamente limitada, que sigam rigorosamente as regras determinadas por seus criadores, serão identificados com o nome da região ou outra determinada na criação.
Nos países citados existe um organismo oficial que regula a criação destas regiões evitando o uso indevido deste principio. Na Espanha por exemplo, se chama INDO - Instituto Nacional de Denominações de Origem. A criação das DOC é um fenômeno relativamente novo, a maioria do século vinte, e teve como principal objetivo o ordenamento da produção de uvas e vinhos e o aumento e reconhecimento da qualidade e tipicidade dos produtos oriundos das diferentes regiões.
França define assim o conceito de DOC:
É o nome famoso que um produto adquire por possuir características peculiares que o diferenciam dos demais e que resulta de:
- fatores naturais, como área de produção e variedade de uva
- fatores humanos como método de elaboração, destilação, etc.
Exemplos: BORDEAUX, BOURGOGNE, CHAMPAGNE, BEAUJOLAIS, COGNAC, RIOJA, CAVA, BAROLO, ASTI, DÃO, BAIRRADA,ETC.
A região que deseja criar uma DOC (que na maioria dos casos já passou por fases prévias como Indicação Geográfica de Procedência ou outras), cria uma identidade jurídica própria e um Conselho que determina as regras para o uso da denominação.
Área geograficamente limitada: Se o sentido é "produto que possui características próprias" é fundamental delimitar a área onde as condições de clima e solo o permitem.
Regras ou Regulamento: Determina rigorosamente as variedades permitidas (somente elas podem formar parte da composição dos vinhos), sistema de plantio, produção máxima permitida, sistemas de elaboração, prazos de maturação e envelhecimento quando houver, regras de rotulagem, infrações e penalidades, etc. Estas últimas são muito duras porque qualquer desvio de conduta prejudica o grupo. O nome da DOC é considerado patrimônio coletivo que agrega valor a todos os produtos comercializados sob essa identificação por isso, além das penalidades que são duras, o grupo faz questão de publicar, quem fraudou, como fraudou e como foi penalizado. As penas chegam a fechamento da cantina e prisão dos responsáveis.
Dito tudo isto, fica mais claro o motivo da noticia que chega da Europa relacionada ao escândalo da região de Toscana onde alguns produtores foram pegos utilizando uvas de outras regiões, com certeza mais baratas. Vamos a noticia:
Um escândalo está abalando a indústria de vinho da Itália. Investigação da polícia revelou que produtores da bebida teriam engarrafado vinhos que continham mistura com uvas não autorizadas pelas suas denominações. O site Wine News publicou uma reportagem provando que pelo menos 10 milhões de litros de Chianti, Toscana IGT, Brunello di Montalcino e Rosso di Montalcino poderiam ter sido misturados a vinhos inferiores. Já estariam sob investigação das autoridades italianas 17 pessoas e 42 empresas produtoras, o que levou a investigação para outras regiões como Abruzzo, Trentino, Piemonte, Lombardia e Emilia-Romagna. A extensão do caso faz com que o crítico Jeremy Parzen, editor do blog Do Bianchi, venha a se referir ao novo escândalo como Chiantigate, em alusão ao famoso escândalo Watergate que derrubou o presidente americano Richard Nixon nos anos 70.
É um escândalo e tanto que esperamos sirva como exemplo para os espertinhos. Que as penas sejam duras, os nomes sejam revelados e os transgressores impedidos de por vida de participar do negócio da uva e do vinho. Será uma depuração necessária para preservar o duro, longo e sério trabalho realizado pelos vitivinicultores, não somente destas admiradas regiões da Itália, como de todo o mundo.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Espumante ORUS




No dia 07 de dezembro fizemos o lançamento de nosso espumante ORUS Rosé Pas Dosé, elaborado pela método tradicional ou champenoise e com ausência total de açúcares, o que equivale ao Nature.
A produção deste pequeno lote de ORUS é feito em homenagem os clientes que nos privilegiam com sua preferência e possibilitam o crescimento constante de nosso carro-chefe o Brut Rosé Adolfo Lona.
O lote de 608 garrafas anuais resulta de um volume de 500 litros que será a quantidade que irá caracterizar este produto durante toda sua trajetória.
O ciclo de produção é de 12 + 12 meses, ou seja doze meses maturando sobre as leveduras onde ganha a complexidade aromática e gustativa que o tempo possibilita devido a autólises das leveduras e doze meses envelhecendo com a rolha definitiva quando ganha sutileza, elegância e potencia. O assemblage é uma mistura de vinhos de 3 variedades, Chardonnay, que participa com seu frescor, Pinot Noir em rosado que agrega força, e uma pequena parcela de Merlot em rosado, que complementa com elegância e ameniza a acidez.
A cor é a típica dos rosados feitos pelo método tradicional, rosada laranja clara lembrando casca de cebola, seu aroma é intenso, complexo e convidativo e o gosto é longo, marcante e potente. É um espumante que dignifica o Rio Grande do Sul e nos deixa muito orgulhosos.
O ORUS será comercializado em estojo de papelão ou madeira diretamente de nossa cantina ou através de nossos distribuidores. Em Porto Alegre será distribuído pela Hannover Vinhos cujos dados aparecem em nosso site www.adolfolona.com.br
Foi um encontro maravilhoso porque tive a oportunidade de reencontrar velhos e queridos amigos que sempre me acompanharam nos momentos importantes de minha vida.
O encontro foi feito no restaurante Hashi Art Cuisine de meu grande amigo Carlos Kristensen que nos ofereceu um coquetel digno de sua reputação com um serviço de primeira.
Entre os presentes estavam integrantes da simpática Confraria Adolfinas formada por jovens senhoras que trabalham na área do direito e que se reúnem periodicamente para passar momentos descontraídos bebericando borbulhantes taças de espumante. Na reunião de criação da Confraria foram apresentadas ao Brut Rosé Adolfo Lona do qual gostaram muito e foi inspiração para o nome da Confraria.
Confesso que fiquei extremamente orgulhoso e feliz que um produto nosso tivesse inspirado este grupo devido à qualidade.
Na primeira fotografia podem observar as adolfinas, minha esposa Silvia e minhas filhas Ana Isabel e Maria Gabriela (iniciando o grupo a esquerda). As adolfinas presentes foram
Flávia Pereira
Maria Claudia Felten
Maria Cristina
Lúcia Junqueira
Gabriela Volpato
Dinéia Anziliero
Laís Lucas
Para conferir o blog da confraria acesse www.confrariaadolfinas.blogspot.com/
Na segunda fotografia estão alguns dos presentes em ordem de esquerda para direita o diretor do Jornal de Comercio Mercio Tumelero, , deputado estadual Adão Villaverde, colunista da Zero Hora e apresentador do programa Anonymus Gourmet José Antonio Pinheiro Machado,
jornalista e colunista do Jornal de Comercio Danilo Ucha, diretor comercial do Jornal de Comercio Luiz Borges e o cheff Carlos Kristensen.
Mais abaixo a apresentação do ORUS em belo estojo de madeira, "vestido" com um medalhão de cobre frontal, um contra-rótulo transparente e um folder explicativo.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A degustação ás cegas



Toda degustação às cegas reserva surpresas porque em tese retira a subjetividade presente na degustação com conhecimento antecipado dos vinhos.Na degustação às cegas "todos os gatos são pardos" e revela o gosto individual, sem influências. Caso o júri seja formado por espertos nos vinhos avaliados, a chance de desvios é baixa.Por isso é curioso o que aconteceu na degustação feita dos maiores vinhos de Bordeaux.
Um grupo selecto de experts relacionados acima, muitos deles franceses e alguns especialistas nos vinhos desta maravilhosa região da França, se reuniram para fazer uma avaliação ás cegas de 11 vinhos. Foram degustados mitos como Château Pétrus, Margaux, Latour, Ausone e Cheval Blanc cujos preços oscilam entre 272,00 euros até mais de 1.500,00 euros com outros menos famosos e caros.
O resultado surpreendeu a todos porque os dois primeiros lugares foram ocupados respectivamente por um vinho de 152,00 euros, o Château Angélus e "pasmem".... um vinho de 14,90 euros, o Château de Reignac. O Reignac é um Bordeaux Superior que é uma das classificações básicas, elaborado com predominância de Merlot (70%) e 25% de Cabernet Sauvignon.
O Angélus é uma mistura proporcional de Merlot e Cabernet Franc. É evidente que o estilo destes vinhos mais ligeiros e frescos agradou mais que os mitológicos Latour, Petrus e Margaux e pelos comentários de boa parte dos jurados isto ficou claro.
Podemos tirar alguma conclusão útil desta degustação? Acho que pouco.
Creio que a mais importante é aquela que defendo desde sempre: as avaliações através de jurados que dão notas é pouco confiável e pode dar resultados de todo tipo. Se um grupo de consagrados experts tem opiniões tão distantes e o resultado matemático é tão surpreendente, que esperar dos resultados obtidos em concursos onde predominam jurados com pouca experiência e afinidade. Será que podemos concluir que um vinho ou espumante medalha de ouro é melhor que o medalha de prata ou bronze? Com certeza não.
Os concursos assim como as avaliações são uma loteria e o melhor que podem fazer consumidores e produtores e ficar longe deles e suas conclusões.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Pelo simples prazer


O vinho e o espumante são bebidas que ganham destaque a cada dia junto á sociedade. Parece ter surgido a necessidade que o indivíduo moderno e atualizado conheça este tema, ainda que superficialmente.
Proliferam notícias gerais e colunistas especializados nos diferentes jornais e revistas, aumentam a oferta de cursos e o número de associações, sociedades e confrarias temáticas que agrupam pessoas interessadas em saber mais sobre uvas, regiões produtoras, tipos de vinhos e degustação.
Quando as pessoas são introduzidas no mundo da uva e do vinho através de uma destas alternativas, descobrem quanto é amplo, longo e enriquecedor o tema. Há tanta bibliografia disponível nas livrarias e na internet que adquirir conhecimentos teóricos rapidamente requer interesse, um pouco de memória e muita paciência porque o caminho é longo.
Já o conhecimento prático deve ser encarado como o desafio que representa adquirir uma habilidade cumprindo as etapas que são: conhecimento, prática e aplicação.
Nos cursos, nas associações e nas confrarias se adquirem os primeiros conhecimentos iniciais e se pratica a degustação.
No hábito do consumo freqüente, quase diário, se aplicam os conhecimentos adquiridos e os sentidos se aprimoram e habituam às cores, aromas e sabores dos diferentes vinhos. Aí o caminho se alarga quase na dimensão do horizonte e a cada passo ganha tons, cheiros, aromas e sabores antes desconhecidos.
O verdadeiro apreciador de vinhos e espumantes sabe que a humildade e a paciência são suas principais virtudes: a primeira impede que caia na armadilha do “já sei tudo” e a segunda alimenta sua curiosidade.
É muito importante que as pessoas que se interessam pelo tema uva e vinho tomem o cuidado de não transformar cada encontro com o vinho numa estafante prova organoléptica onde ganha quem fala mais e diz menos ou quem recita frases de efeito.
Levar gravado que vinho bom é aquele que dá prazer ao beber-lo, independentemente da origem, tipo, variedade ou preço
Finalmente entender que a moderação no consumo valoriza o prazer de beber beneficiando a alma, e a frequência, conforme já demonstrado por inúmeros estudos, beneficia o corpo.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A minissaia

Vocês sabem, e eu também, que o principal assunto deste blog é o vinho, suas uvas, regiões, serviço, curiosidade, etc. Mas durante recente viagem a Brasília para fazer um evento de harmonização com a grande cheff Francisco, tive acesso a um artigo assinado por Adriana Berger, professora de História e Literatura Brasileira que hoje mora em Miami, Flórida, que me encantou tanto que me senti na obrigação de compartir-lo com todos vocês. Desculpem ter fugido momentaneamente do assunto principal mas este artigo é digno de ser lido saboreando uma refrescante taça de espumante.

A MINISSAIA E A LIBERDADE À BRASILEIRA
Voltei preocupada com a teoria e a prática que se alastram pelo nosso país: o da liberdade à brasileira. Pelo que vi em grandes e pequenas cidades o Brasil passa por um momento de grande licenciosidade, vulgaridade, superficialidade, besteirol. Vi meninas dançando em cima de garrafas. Sexo aberto em bailes e shows. Em novelas, programas de entretenimento, o corpo da mulher é usado e abusado. Noventa por cento da programação nacional da TV aberta é sobre cirurgia plástica, cosméticos, penteados, fofocas, brigas domésticas, rezas e “curas”, receitas, remédios, cães e bichos, violência.
Piadas, de bêbado e homossexual. “Psicólogos”, “conselheiras” sentimentais e familiares usam sofrimentos de pessoas em programas sensacionalistas. Há “formadores de opinião” para qualquer assunto. Afirmo, sem medo de errar, que nós precisamos é de formadores de caráter. Há um grande apagão cultural. É como se todos estivessem sonâmbulos. Não se discute nada de profundo, alternativas para o país. A juventude sem sonhos e poesia não tem em quê ou em quem se inspirar.
Contrabando é crime, mas, artigos contrabandeados são vendidos nas ruas na cara da polícia. O cerrado e a floresta, mais destruídos. As cidades em colapso no trânsito e na urbanidade. Crime e violência por toda parte. Milhões de brasileiros nas filas de atendimento da péssima saúde pública. O Brasil continua exportando matéria-prima e importando bugigangas. Baixa produção científica e tecnológica. Cada vez menos formandos em matemática, engenharias, física, química, biologia, ciências exatas.
Se escolas e universidades se comportassem como instituições a formar cidadãos para o equilíbrio social e moral do país discussões públicas velhas e exageradas como essa da minissaia em universidade paulista não prosperaria. O X da questão não está na altura da saia rosa-choque da aluna, mas como, onde e por que foi usada. O que fez parte da imprensa “séria” onde microfones e páginas estão nas mãos de “formadores de opinião”? Usou o assunto para aumentar audiência e tiragem. Isto È critica a Uniban por seu interesse mercantilista. O que fez a revista ao dar capa à minissaia com reportagem cheia de frases do movimento feminista dos anos 60/70? Nenhuma palavra sobre regras, normas, comportamento nas escolas, em sala de aula, respeito mútuo. Destacaram mulheres com os seios de fora em Brasília, defensoras da garota da capa.
A star is born
(Nasce uma estrela)
Com apoio da TV Globo nasce uma estrela nos costumes e no showbiz brasileiro. O cenário se repete. A moça já foi convidada para posar nua. Vai desfilar na escola de samba Porto da Pedra. Em breve poderá ter seu espaço televisivo e ser mais uma formadora de opinião. No programa "Altas Horas" ela sentou-se na cadeira da fama, mas de jeans. Mandou recado para milhões de garotas: “a roupa é minha, visto como quiser, às sextas sempre vou a baladas e já saio de casa vestida e não devo satisfação a ninguém, aquele vestido é um dos mais discretos que uso”.
Recebeu apoio de universitárias de Brasília com os seios à mostra: “se quiser ir nua que vá é a liberdade de cada um, o corpo é meu, ninguém tem nada com isso”. O apresentador do programa com cara de pateta, cercado por estudantes-tietes achando-se o máximo por promover a “liberdade”. Uma aluna de minissaia, saltos altos, super maquiada, produzida para baladas, em aula noturna, no meio de marmanjos, ou está com problemas de aceitação, chamando atenção para ser notada; ou não sabe a diferença entre o vulgar e o popular; ou esta querendo bagunçar com um confronto premeditado.
Nas escolas do mundo todo há normas, uniformes, regras de comportamento onde muçulmanos, cristãos, budistas, ateus, ricos e pobres, educam jovens que continuarão a defender valores e princípios de seus povos e países. Psicólogos, professores, ao perceberem o comportamento da aluna deveriam ter conversado com ela, orientá-la, ajudá-la a superar fobias e rejeições. Não o fizeram. A reação de estudantes foi desmedida, vazia de conteúdo. Sem instituições sólidas, cria-se a liberdade à brasileira.
Em que ou em quem se espelha a aluna do microvestido? O que tem aprendido em ética, valores, comportamento e convivência social? O que ela ouve e vê a seu redor? “Sou livre, visto o que quiser a hora que quiser”. Num país sem retentores morais, com apatia política e cultural, sem critérios, a garota não tem a quem responder ou dar satisfação. Nem em casa, nem na escola, nem à sociedade, nem ao país. “Se, juiz e desembargador podem, eu posso; se deputado e senador fazem, eu também posso fazer; se o presidente, seus ministros, o prefeito, podem, eu também posso”.
A TV incentiva quebradores de regras. Cria espaço para mulher-melancia, samambaia, melão, morango. Popozudas ensinam danças, abrem as nádegas e, se abaixam, para mostrar mais. O programa Fantástico da TV Globo no dia 15 de novembro entrou em milhões de lares promovendo o livro e o filme da ex-prostituta Surfistinha, a garota da mina saia e o concurso Menina Fantástico. A Proclamação da República, data histórica do povo brasileiro não interessa. Não dá IBOPE. Em dez minutos, a TV Globo daria a milhões de jovens uma necessária aula da queda do império, a velha República, a era Vargas, JK, a ditadura militar e em 15 de novembro de 1989 a Nova República.
Estão rasgando páginas de nossa história. A memória nacional se extingue. Com tanta noticia que precisa ser dado ao povo o noticiário noturno (Globo), no dia 16/11, se despediu destacando prostituta de noticia velha de tablóide inglês.
O que ensina e estimula a mais rica e poderosa escola do Brasil? Não há na TV aberta brasileira (concessão pública) incentivo ao cumprimento de leis, a regras de respeito mútuo, à solidariedade e cooperação. Destaques, astros e estrelas, são os da marginalidade, corruptos bem-sucedidos, políticos mentirosos, os da sexualidade vulgar.
Meu querido Brasil: rico por natureza, mas pobre de cidadania, princípios e ética.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O ácido acético


O ácido acético é um ácido orgânico que se forma durante a fermentação alcoólica de forma natural. A quantidade existente no vinho é variável dependendo do tipo de uva, do sistema e cuidados na vinificação, do tipo de leveduras e dos cuidados durante a conservação e envelhecimento. Geralmente nos vinhos brancos os teores são inferiores aos tintos porque são elaborados sem as cascas, a baixa temperatura e são comercializados mais rapidamente. Nestes vinhos os teores são inferiores a 0,40 g/1000 e nos tintos que são elaborados com as cascas, a temperaturas maiores, são maturados em madeira e envelhecidos os teores podem chegar até 0,70 g/1000.
O fato gerador do aumento da acidez volátil é a incorporação de oxigénio ao vinho que provoca a proliferação das bactérias acéticas que atacam o álcool etílico (C3 - CH2OH) e formam o ácido acético (CH3 - COOH). Quando os teores superam 1,0 g/1000 surge o gosto e o aroma de vinagre que altera substancialmente a qualidade do vinho.
As vinícolas utilizam todos os recursos para evitar este problema tão sério, como utilizar uvas em perfeito estado sanitário, reservatórios em bom estado de conservação e higiene (por isso é preferível o aço inoxidável) e sistemas de elaboração que protejam o produto de qualquer proliferação de bactérias.
A recomendação de manter as garrafas em locais obrigados de temperaturas altas e na posição horizontal tem por objetivo este propósito. A rolha, que é permeável ao ar, ganha porosidade quando a garrafa está na posição vertical sem contato com o vinho, e desta forma facilita a formação de colónias de bactérias que poderão atacar o vinho. Este fenómeno não acontece em curto espaço de tempo mas sempre é recomendável tomar estes cuidados. Não há surpresa pior do que abrir uma garrafa de vinho guardada demoradamente para saborear-la num momento especial, e que o vinho esteja estragado pelo alto teor de ácido acético.
Todo o cuidado é pouco!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

ST - Sempre tirando



Este ano de 2009 que está finalizando será lembrado pela indústria vitivinícola brasileira como o ano em que os governos estaduais, numa demonstração de extrema criatividade, implementaram uma nova modalidade de cálculo do ICMS. Chamaram de substituição tributária - ST que eu batizei de "sempre tirando".
A brincadeira consiste em cobrar adiantadamente do produtor, ICM sobre um suposto preço final de venda praticado pelo lojista ou revendedor. Este novo valor de ICM é de 25% sobre um preço de venda final que as cabeças pensantes dos governos estaduais estimam. Como o objetivo é faturar, estimam mais alto que a realidade.
Isto onerou ainda mais a afogada cadeia produtiva. Para os vinhos de mesa, mais baratos e competitivos, foi mortal e será sentido nos volumes a curto prazo minando a base das pequenas propriedades que são sustentadas pela venda das uvas para esta finalidade.
Se a soma de impostos sobre uma garrafa de vinho ou de espumante vendida na prateleira atingia mais de 52% antes deste invento, agora se aproxima dos 55%. Como ser competitivo, como manter uma estrutura produtiva, como investir nos negócios com este irresponsável sócio que leva mais da metade do faturado pela cadeia? Poderia ser um consolo se o dinheiro retorna-se na forma de serviços decentes e primários como saúde, segurança, estradas, transporte coletivo, ensino, etc.
Infelizmente o dinheiro vai para sustentar estruturas de governo absolutamente inoperantes, desvios de todo tipo e algumas obras mais "eleitoreiras".
Até quando empresários, comerciantes e consumidores vamos agüentar esta farra com o dinheiro que geramos?
Enquanto aguardamos vamos ficando com a cara igualzinha à do nosso amigo acima.

domingo, 1 de novembro de 2009

Cristais


Jantando recentemente num restaurante de Porto Alegre percebi que uma mesa ao lado reclamava do garçom a presença de pequenos cristais depositados no fundo da garrafa de vinho tinto. Como o garçom não sabia explicar o motivo deste material e tentando evitar uma má impressão sobre o vinho, me identifiquei como enólogo e expliquei a razão: eram cristais de um sal do ácido tartárico que se formam ao submeter o vinho a baixas temperaturas, absolutamente naturais e que não ofereciam nenhum risco. O vinho era argentino e fora esfriado de forma rápida num balde com muito gelo. É importante ressaltar que em determinadas condições esta cristalização pode ser freqüente: a maioria dos vinhos importados não são esfriados antecipadamente na cantina, o que evitaria este problema porque os cristais seriam formados e retirados através de uma filtração. Não são esfriados por duas razões: a primeira e mais importante é que o frio pode alterar as características organolépticas, principalmente a estrutura de sabor. O segundo motivo é que nestes países os vinhos tintos não são consumidos frios e sim a temperatura ambiente, quase sempre próxima dos dezoito graus.
Por conta do hábito existente em algumas regiões do Brasil de esfriar exageradamente os vinhos, sejam brancos ou tintos, a grande maioria das vinícolas do Brasil, para evitar problemas como o do casal citado, "estabilizam" todos os vinhos.
Se por acaso você enfrentar uma situação destas, não fique estressado. Beba com tranquilidade até os cristais.São compostos do um ácido orgânico chamado tartárico, que se encontra somente na uva. É tão importante que antigamente era chamado de ácido úvico.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

ORUS Pas Dosé

Com muita alegria e orgulho estamos liberando o lote 2009 de nosso espumante ORUS Rosé Extra Brut Pas Dosé, método tradicional, único deste tipo produzido no Brasil. Pas Dosé é a expressão utilizada na França para classificar os espumantes que não recebem a dosagem de licor de expedição que acrescenta açúcares.
O lote limitado de 608 garrafas devidamente numeradas será comercializado directamente de nossa vinícola, e através da rede de distribuidores exclusivos nas principais capitais em duas modalidades de embalagem: estojo de papelão e estojo de madeira.
Este produto é maturado na própria garrafa por doze meses sobre as leveduras onde ganha riqueza aromática e gustativa devido ao efeito da autólise das mesmas. É incrível a importância desta fase já que nela o espumante adquire a "cara" do método tradicional ou champenoise. Posteriormente o envelhecemos durante doze meses com a rolha com o objetivo de agregar complexidade e "doçura", ou seja torna-lo amável à nariz e a boca. Acredito que esta fase transforma o ORUS num espumante totalmente diferenciado, único.
A descrição organoléptica é:, Cor rosado ligeiro que lembra casca de cebola, límpido e transparente, aromas intensos, delicados e convidativos e um sabor extremamente amável apesar da ausência total de açúcar.
Este pequeno lote de espumante especial é feito para homenagear os apreciadores de nosso Brut Rosé em todo o país.
Todos temos muito orgulho da qualidade alcançada por este produto.
Para quem quiser encomendar uma garrafa deste lote especial basta enviar e-mail para comercial@adolfolona.com.br, telefonar a Garibaldi (54) 3462.4124 ou acessar o site WWW.adolfolona.com.br onde constam os distribuidores Adolfo Lona no Brasil.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

O suco de uva

O Instituto Brasileiro do Vinho demonstra mais uma vez sua capacidade e profissionalismo ao destinar boa parte de seus recursos para apoiar um produto com enorme potencial: o suco de uva.
Uma das virtudes de todo suco natural é ter características organolépticas marcantes da fruta que o gerou. Assim é com o suco de pêssego, laranja e maçã, para citar os mais consumidos.
No caso dos sucos de uva, os provenientes de variedades de origem europeia, utilizadas para obter vinhos finos como Chardonnay, Riesling, Merlot e Cabernet Sauvignon, não apresentam as características da casta, são neutros, sem graça. Já os elaborados a partir de uvas da espécie Americanas e/ou híbridas como Concord, Seibel e Isabel são extremamente ricos em aromas e gosto de uva.
Por esta razão, o suco brasileiro é muito apreciado e raro porque na grande maioria dos países produtores o cultivo das espécies americanas é proibido. O RS já um tradicional produtor e exportador de suco concentrado, e o parque industrial existente desde a década de setenta é um dos mais modernos do mundo.
O património vitícola da Serra Gaúcha é formado por oitenta por cento de uvas da espécie americana e vinte por cento da espécie europeia. Esta espécie encontrou no RS condições óptimas, e até hoje suas uvas são destinadas em boa parte para elaborar vinhos de mesa. A produção de suco de uva até hoje esteve focada no mercado externo porque o consumo interno foi relativamente pequeno.
O estímulo que dará esta atitude do Ibravin ao consumo de sucos naturais de uva resultará em curto prazo em vantagens para produtores e consumidores.
Os produtores destas uvas que não sempre são remunerados adequadamente serão beneficiados pela maior procura desta matéria prima. Muitos deles cultivam também uvas europeias, que com a crise de vendas que sofrem os vinhos finos devido a concorrência dos importados, tem tido pouca procura e preços absurdamente baixos.
As empresas produtoras de suco poderão ver seus negócios prosperarem possibilitando fazer maiores investimentos na cara tecnologia exigida por este produto. Com o aumento da procura, com certeza surgirão pequenos produtores que em virtude do pequeno volume elaborado, conseguirão oferecer ao mercado sucos naturais e integrais diferenciados.
Finalmente será beneficiado aquele que é a razão da existência de todos: o consumidor que irá descobrir e apreciar um produto natural, puro, integral, sem álcool, que reúne todos os benefícios à saúde que os derivados das uvas tintas oferecem devido a presença do resveratrol.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O ciclo anual da videira - Parte 3




Com o aumento lento e gradual das temperaturas, o ciclo vegetativo avança com a evolução do crescimento dos brotos que se desenvolvem e geram os pequenos frutos como se observa na ilustração acima.
Floração e fecundação: Quando os cachos estão formados acontece a floração durante a qual o clima é um importante fator de quantidade e qualidade já que ventos fortes e chuvas podem prejudicar a formação do fruto. Com a fecundação das flores se inicia a formação do grão que inicialmente se assemelha a uma pequena ervilha. Neste momento o crescimento é por multiplicação celular que proporciona aumento do tamanho e o clima influencia menos.
Durante esta fase o grão cresce lentamente e permanece verde e compacto até atingir seu tamanho definitivo quando finaliza o crescimento por multiplicação celular.
Envero ou mudança de cor: Nesta fase, quando o grão não cresce mais, a pele fica translúcida (transparente)e começa a mudar de cor: amarela para as uvas brancas e vermelha para as tintas. Começa assim a fase final de maturação quando o grão completa a formação de seus componentes de cor e açúcares e quando o clima é fundamental para definir a real composição do mesmo.
Maturação: Nesta fase final o clima também desempenha papel fundamental já que a eventual água de irrigação ou chuva se dirige directamente ao grão.
Quando há clima seco, com moderadas chuvas, o grão, por efeito do sol e luminosidade, fica compacto e concentra seus componentes, transformando-se numa fruta ideal para elaboração de vinhos encorpados e potentes. Quando, ao contrário, há excessos de chuva, a grão sofre, além dos efeitos dos ataques do mofo que se formam no ambiente, diluição dos componentes e por tal razão deficientes desde o ponto de vista de carga de componentes. Nestes casos, as uvas resultam em vinhos tintos mais ligeiros.
Tudo isto explica porque no Brasil, nos anos que há excesso de chuvas, os vinhos tintos oferecem um desafio especial aos enólogos que tem de aplicar técnicas específicas para obter o melhor resultado.
Para as uvas destinadas a espumantes, as chuvas prejudicam o estado sanitário que deve ser controlado rigorosamente, mas não tão intensamente no aspecto de componentes já que os vinhos com este destino, podem ser menos alcoólicos e ligeiros.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Torrontés


Hoje tive a oportunidade de degustar o vinho argentino Serrera Torrontés, importado pela Hannover Vinhos de Porto Alegre, nosso distribuidor exclusivo em Porto Alegre. Meu amigo Niels, proprietário da Hannover me enviou para que conhecesse. Confesso que fiquei admirado por encontrar um vinho que reúne expressividade, fineza e leveza num varietal que, apesar de ser emblemático da Argentina, é difícil de lograr quando a uva provêem de Mendoza.
A uva Torrontés é uma uva de origem espanhola da família da Moscatel que foi se adaptando muito bem na Argentina e resultando em clones diferentes conforme o local de produção. O mais famoso é o Torrontés saltenho (de Salta, bem ao norte, quase no limite com a Bolívia) que é muito aromático, com aromas e sabores quase doces. Quanto mais ao sul, menos expressão, por isso minha admiração quando degustei o Serrera.
O vinho é de cor branca dourada pálida, bem brilhante, aromas intensos de uva madura, agradáveis, frescos e persistentes e um gosto frutado muito leve, amável e refinado com equilibrada acidez.
Acho que este vinho é um perfeito companheiro para todo momento, em especial fora das refeições, na beira da piscina ou abrindo uma refeição, sempre bem gelado.
Infelizmente no Brasil há pouco mercado para os vinhos brancos que são descriminados. O novo consumidor do país ainda acha que o verdadeiro vinho é o tinto e demorará para descobrir os atributos do vinho branco. Pena, porque ele é quem perde.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

O ciclo anual da videira - Parte 2






A poda: Quando se aproxima o fim do inverno, quase no mês de agosto, e realizada a poda da videira que é a eliminação dos galhos do ano anterior e a preparação dos futuros "carregadores". Esta poda, conhecida como "poda seca", exige conhecimentos por isso é realizada por pessoas especialmente treinadas. Neste momento se faz a primeira decisão sobre a quantidade desejada de produção por pé, lembrando que esta decisão é uma variável importantíssima para a qualidade do fruto. Uma produção média ideal por pé esta situada entre dois e três quilos conforme a variedade e a região, o que permite que a planta "alimente" adequadamente cada cacho e este consiga níveis de maturação suficientes para asegurar boa carga de açúcares e componentes da cor.
A planta não começa a brotar logo após a poda, permanece até o aumento das temperaturas.
Inicio do movimento da seiva: Um dos indícios que a brotação está proxima é o "choro" da videira representado por gotas de seiva que se desprendem das extremidades onde houve o corte feito na poda. É uma das imagens mais bonitas do ciclo.
Inicio da brotação: Aproximadamente quinze dias após o choro a videira começa lentamente a brotar, dando inicio ao ciclo vegetativo. Neste ciclo que compreende a brotação, floração, fecundação e formação do cacho, o clima desempenha um papel importantíssimo.
Brotação: É o momento mais delicado do ciclo já que possíveis geadas podem ocasionar perdas irreparáveis desde o ponto quantitativo. Durante o fim do mês de setembro e inicio de outubro o ideal é clima com temperaturas em elevação e moderadas chivas.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

O excesso de carvalho


O carvalho é uma madeira nobre que permite, devido a sua moderada porosidade, a micro oxigenação do vinho, fenómeno através do qual os vinhos tintos perdem adstringência e dureza e ganham os aromas e gosto amável que lembram baunilha e chocolate. Estes aromas encantam todos os consumidores em especial os menos acostumados a beber vinhos tintos.
Na elaboração de vinhos para guarda, mais encorpados e robustos e onde a carga de taninos é fundamental para esta potencia, a fase de maturação em barricas de carvalho é quase impressindível já que é a forma mais natural de retirar "gordura" e dureza. Os grandes vinhos de Bordeaux, ao sul da França, sofrem obrigatoriamente esta passagem por madeira de pelo menos um ano, porque são muito encorpados e longevos.
Nos anos oitenta, por influência do mercado inglês (sempre ele!!) alguns países do Novo Mundo, livres das normas técnicas que vigoram no Velho Mundo, começaram a produzir vinhos com presença marcante (excessiva) de carvalho que os tornava "perfumados e agradáveis". Eram verdadeiros chás de madeira. A técnica? Em vez de barricas de carvalho, caras e demoradas, utilizavam lascas de carvalho que em contato com o vinho transmitiam algumas características olganolépticas dos vinhos de barrica a um preço infinitamente inferior. Esta moda parecia ter acabado, ou ao menos diminuído.
Que nada! Continua em vigor, agora aplicada em todos os vinhos, em especial novos, e em todos os países.
É a mediocridade tomando conta e nivelando todos os vinhos! Agora alguns produtores mais espertos do Velho e Novo Mundo abusam da madeira, escondendo defeitos e muitas vezes, virtudes.
Neste fim de semana tentei beber um vinho originário de Ribeira del Duero, uma boa região DOC da Espanha situada ao norte, logo abaixo de Rioja, que recebi de presente de um amigo .
O vinho da marca Cepa 21, colheita 2055, foi elaborado com a uva Tempranillo (a uva dos vinhos de Rioja) e tem um teor alcoólico de 15% em volume. Imaginaram a força varietal deste vinho, que se encontra escondida sob o cobertor grosso da madeira?
Foi impossível beber-lo. Ao fim do primeiro copo era tanto o gosto de madeira que nossos paladares ficaram anestesiados, sem capacidade de sentir outras características.
Que pena que ainda haja uma oferta tão forte deste tipo de vinhos! Seria tão bom destacar os aromas e sabores típicos de cada casta, de cada região, de cada país.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Curso de Espumantes em Garibaldi

No fim de semana dos dias 7 e 8 de agosto será realizado na Adega Adolfo Lona, o Curso “O mundo dos Espumantes” com uma programação muito especial que inclui degustação às cegas de espumantes nacionais e importados e jantar harmonizado na Hostaria Casacurta.

Data: Dias 07 e 08 de agosto.
Local: Adega Adolfo Lona
Horários e programação:
Sexta-feira dia 07 de agosto
16:30 hs: Saída micro ônibus de Porto Alegre
18:00 hs: Chek-in no Hotel Casacurta
19:15 hs: Recepção na adega e entrega de material
19:30 hs: Inicio do Curso - Parte I
21:30 hs: Jantar harmonizado no Casacurta
Sábado dia 08 de agosto
09:30 hs: Inicio do Curso - Parte II
12:00 hs: Visita a adega Adolfo Lona
12:30 hs: Almoço típico na Adega Adolfo Lona
Entrega de diplomas.
16:00 hs: Retorno para Porto Alegre.

Conteúdo do Curso
Origem do espumante, história, definição.
Métodos de elaboração. Geografia dos espumantes.
Prosecco, Asti, Cava, Champagne. Os espumantes no Brasil, história, situação atual, o futuro.
Duas degustações às cegas (Sexta e Sábado) de espumantes nacionais e importados como, Cava, Prosecco, Asti, cremant e champagne.
Vamos descobrir qual é cada um!!!

Preço: 1 Pessoa: R$ 381,00 - Casal: R$ 356,00
Tarifas para um grupo mínimo de 20 pessoas.

Inclui: Translado Porto Alegre - Garibaldi - Porto Alegre – Guia acompanhante, Curso e degustações, uma diária no Hotel Casacurta em quarto de casal, jantar harmonizado na Hostaria Casacurta e almoço na Adega Adolfo Lona

Forma de pagamento: Pré-pagamento com deposito bancário.

Não inclui: despesas extras, taxas e ingressos em locais turísticos e passeios não mencionados no programa, entretenimento pessoal.

Responsabilidade: A Fellini Turismo, registro EMBRATUR Nº 114830041.7, declara que o presente programa de viagem será executado em conformidade com as condições gerais estabelecidas pela Lei nº 8.078, de 11.09.90.

INFORMAÇÕES E RESERVAS: FELLINI TURISMO - (51) 3216-6312
Com Carmem

quinta-feira, 23 de julho de 2009

O ciclo anual da videira - Parte 1



No ciclo anual da videira o clima desempenha um papel importantíssimo na qualidade e quantidade da uva produzida. Para entendermos melhor todas as variáveis e suas consequências vamos abordar cada uma das etapas iniciando na fase logo após a retirada da uva ou colheita. Os meses durante os quais a uva é colhida varia conforme o hemisfério e dentro deles em função da latitude.
No hemisfério sul se inicia entre Janeiro e Fevereiro e finaliza entre Março e Abril.
Já no hemisfério norte inicia entre Agosto e Setembro e finaliza entre Outubro e Novembro.
Fase do estreitamento: Logo após a colheita, a planta inicia a fase de estreitamento dos galhos e a seiva para de circular. Com as temperaturas mais baixas este fenómeno se acelera, as folhas ficam secas e com o primeiro vento, caem. A planta fica "careca" e inicia o fase de dormência ou repouso. Na figura acima mostramos as folhas secas antes de cair.
Fase de repouso: É fundamental para a recuperação da planta em relação ao esforço realizado durante a fase de maturação. Durante a fase de repouso ou dormência a planta acumula reservas através de seu sistema radicular, por isso são importantes os invernos rigorosos e longos. Na segunda figura acima vemos a planta agora sem folhas e descansando. O repouso invernal prolongado e constante, próprio de regiões com estações bem definidas, alonga a vida útil da planta e proporciona óptimas condições para que a mesma enfrente adequadamente o ciclo vegetativo que inicia com a brotação e finaliza com a maturação total.
Em regiões como o Vale de São Francisco onde as temperaturas são constantes, a dormência é provocada pela interrupção da irrigação. Neste caso a duração da fase é mais curta e por isso gera um maior desgaste da planta.
A fase de descanso no sul do Brasil vai do mês de Abril até o mês de Agosto logo após a poda que antecede o início de ciclo vegetativo.
Nestas fases descritas a planta tem uma enorme resistência às baixas temperaturas e a umidade já que não há partes "produtivas" expostas.

terça-feira, 21 de julho de 2009

O Consumo


O consumo anual brasileiro de vinhos é inferior a dois litros, um dos mais baixos do mundo. Esta quantidade é bem superior no Rio Grande do Sul, em especial na Serra, e vai caindo para o norte do país.
O surpreendente é que este baixo volume é a soma dos vinhos de mesa, finos e espumantes, nacionais e importados.
Muitas pessoas devido ao maior destaque do vinho na mídia, acham que o consumo cresce, o que não é verdade. Nos últimos vinte anos mudaram os “participantes”, mas não as quantidades. Hoje mais de oitenta por cento do volume de vinhos corresponde aos importados enquanto os espumantes nacionais crescem lentamente.
O Instituto Brasileiro do Vinho – IBRAVIN, entendendo que é necessário investir na imagem do produto nacional para aumentar sua participação no mercado acaba de iniciar uma campanha com o slogan: “Abra sua cabeça ao vinho brasileiro”. O emblema é um belo saca-rolha e a campanha melhorará a imagem do vinho brasileiro.
Poderemos esperar também aumento do volume consumido? Com certeza não. O motivo do baixo consumo é cultural e por tal razão difícil de alterar, por isso serão necessários repetidos anos de investimentos.
No Rio Grande do Sul o consumo na metade sul é muito baixo por falta de hábito.
Em boa parte do Nordeste o consumo de scotch durante as refeições é muito superior ao de vinho. Parece incrível, mas é um hábito muito enraizado e difícil de alterar. Nestes lugares também existe o hábito do consumo de cerveja.
Contribuem para frear o aumento de consumo as inúmeras regras que rodeiam os vinhos e espumantes que amedrontam e intimidam as pessoas. São muitas variáveis difíceis de entender: centenas de variedades de uvas, sistemas de elaboração, tipos de madeira, classes como reserva, super reserva, reservadinho, Premium e o novíssimo Ícone. Centenas de regras como temperatura de guarda, de serviço, tipo e formato de copo, possível uso do decanter, abertura antecipada ou não, harmonização de vinhos e pratos, etc. É tanta confusão na cabeça do indefesso consumidor que na grande maioria das vezes este opta pela simples e refrescante “geladinha”.
Será importante que junto a esta magnífica campanha do Ibravin haja um esforço no sentido de que enólogos, enófilos e enochatos simplifiquem o vinho e o deixem mais próximo e accessível dos consumidores.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Instrumento de trabalho...ou de tortura


O saca-rolha pode ser um instrumento de trabalho ou de tortura, conforme o modelo ou uso.
Instrumento de trabalho se tiver os atributos mínimos e for usado adequadamente e de tortura se falhar um dos itens citados.
Apesar de que a rolha nada mais é do que um pequeno cilindro de 24 mm de diâmetro por 38 a 45 mm de cumprimento, as vezes oferece certa resistência para ser retirada. Quando não se dispõe de ferramenta adequada ou habilidade em utilizá-la, observamos verdadeiras lutas corporais entre ela e a vítima que tem a missão de retirá-la. Nada mais constrangedor que estas cenas ridículas do indivíduo fazendo força, suando até aparecer a veia no pescoço ou na frente, tremendo de impotência, batendo com o punho no saca-rolha para afundá-la, no fundo da garrafa para expulsa-la, chamando o cunhado para ajudar, em fim uma tragédia. O problema é que quando se encontram no mesmo lugar um saca-rolha inadequado e uma rolha “valente” o estrago pode ser grande, para o vinho ou para a vítima de turno. É importante esclarecer que se entende como rolha valente aquela que está firmemente presa, que veda, que cumpre seu papel, elogiável. Rolha ruim é aquela que fica encharcada de vinho, mole, que sai ou afunda com muita facilidade, que não segura e deixa vazar.
Infelizmente algumas pessoas subestimam a importância do saca-rolha e adquirem exemplares até em lojas de R$ 1,99 que geralmente servem para abrir uma garrafa e depois quebram. Saem felizes destas lojas com uma sacola de sacar-rolhas de má qualidade ou de formato temível. Depois ficam apanhando. Um dos mais perigosos é o famoso bate-coxa em formato de T, que exige a força bruta como único recurso para extrair a rolha.
O nome “bate-coxa”- como há de se imaginar - provém da posição que ocupa a garrafa (entre as pernas) que ajuda para ganhar mais força. Com ele é impossível extrair a rolha com a simples ajuda do braço, sorrindo. Tem de fazer alavanca usando as coxas e os braços e muita força. Se não quiser arriscar e ser o principal protagonista de cena constrangedora, não o use. Jogue fora ou dê de presente a alguém que você “ame demais”.
Como afirmamos no inicio, o saca-rolha pode ser um instrumento de trabalho ou de tortura para você ou para o vinho.
Evite os muito sofisticados, com mecanismos complicados que geralmente vem acompanhados de um manual com mais de 100 páginas que exige a presença de pelo menos três pessoas, uma para ler, outra para interpretar o que foi lido e a última para aplicar o que os outros dois não entenderam; os que usam algum tipo de pressão pneumática ou navalhas que podem machucar ou quebrar a garrafa e os de plástico de má qualidade que estragam antes de ser utilizados. O segredo de todo bom saca-rolha se resume a duas peças: o espiral que deve ter um passo – distancia entre os anéis - perfeito para não provocar danos à rolha, ser fino e resistente para não se deformar, e o mecanismo de alavanca preciso e simples que facilite a vida do usuário.

Adstringência


Adstringência é uma sensação gustativa provocada pelos taninos contidos nos vinhos tintos. Estes componentes que são responsáveis pelo corpo ou estrutura reagem com as proteínas da boca que perde momentaneamente o poder lubrificante da saliva ocasionando a sensação conhecida como “boca seca”. São vinhos difíceis de beber, duros, ásperos.
Como já sabemos a cor dos vinhos tintos se encontra na casca já que o suco não tem cor por isso que a elaboração se faz macerando a casca no suco. A cor é formada pelos antocianos que tem a cor vermelha e são os primeiros que se incorporam ao suco, e os taninos que são os responsáveis pela estrutura, que se incorporam depois, quando o processo de fermentação está mais avançado porque são solúveis em álcool.
Quando desejamos elaborar um vinho jovem para ser consumido em pouco tempo, procuramos retirar antocianos e evitar retirar taninos. A cor não será tão estável mais os vinhos são de vida curta.
Quando elaboramos um vinho de guarda retiramos o máximo de taninos possíveis e depois os “domamos” através do uso de barricas de carvalho e do envelhecimento na garrafa, etapas que tem por finalidade amaciar o vinho e tornar os aromas mais complexos formando o desejado bouquet.
Porque encontramos excesso de adstringência em alguns vinhos tintos e como podemos diminuí-la?
O excesso de adstringência é por diversos fatores.
Uvas tintas não tão maduras contêm taninos mais verdes que são mais duros e adstringentes. Os vinhos elaborados com estas uvas exigem maior tempo de repouso.
Uvas bem maduras às quais se retira taninos em excesso na elaboração resultam em vinhos encorpados mais rebeldes desde o ponto de vista de adstringência.
Estes vinhos também merecem maior tempo de repouso.
O problema é que na corrida da venda rápida algumas cantinas tanto nacionais como estrangeiras exageram e colocam seus vinhos antes de estarem prontos para o consumo.
A solução para você que adquiriu um lote de vinho de boa qualidade mais excessivamente tânico é guardá-lo durante um tempo que dificilmente será inferior a 10-12 meses.
Nestes casos temos de fazer uso de duas verdades enológicas:
A paciência é a maior virtude de quem aprecia vinhos, e quem bebe por último bebe melhor.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Os aromas dos vinhos


Os vinhos e os espumantes possuem alguns componentes, como álcool e acidez, em proporção tão harmônica e justa que é possível apreciá-los puros, sem diluição.
É uma delícia observar as cores, sentir os aromas, saborear o gosto.
Os aromas que provêem da uva e os que se formam durante a elaboração e envelhecimento são sentidos com total nitidez e permitem antecipar as características mais marcantes: os vinhos mais jovens destacam os aromas frescos e frutados, os vinhos envelhecidos os que lembram couro, fumaça e baunilha quando maturados em carvalho.
O olfato é o sentido mais eficaz pela sua abrangência, fidelidade e capacidade de associação. Ao final, é o sentido das emoções e das lembranças. Podemos esquecer uma bela paisagem mais jamais esqueceremos do cheirinho agradável da pipoca que nossa mãe fazia nas tardes de domingo, rememorada ao passar por uma máquina que as prepara num cinema ou num parque de diversões.
Infelizmente o olfato é um dos sentidos menos utilizado e por tal razão pouco treinado em especial nos homens, que parecem ter medo de cheirar. Ante um copo de vinho ficam constrangidos, temerosos de aproximar o nariz e sentir os aromas. Neste quesito as mulheres levam ampla vantagem e por isso possuem predisposição natural para serem boas degustadoras. Elas, além de serem menos inibidas, usam com mais assiduidade o olfato e por isso possuem maior agilidade para identificar aromas e associá-los.
Quem gosta de apreciar vinhos deve usar o olfato como ferramenta principal para descobrir virtudes e defeitos deixando para traz preconceitos ou inibições. Não precisa fazê-lo de forma ostensiva proporcionando um show que chame a atenção. Muito menos, com cara de premio Nobel, cheirar com uma narina, depois com a outra!.
Incorporando o hábito de cheirar com atenção quando trata-se de vinhos e espumantes, você estará possibilitando ao sentido mais eficaz que é o olfato, lhe transmitir as características principais dos produtos e deste modo conhece-los melhor, com muito prazer.

O bom senso


A revista Veja publicou um artigo da série Dieta chamado “A volta do bom senso” destacando uma nova (entre tantas!) dieta para emagrecer proposta pela nutricionista Connie Guttersen em seu livro A Dieta de Sonoma, que desde dezembro de 2005 já vendeu meio milhão de exemplares.
Para quem achar que Connie é mais uma das tantas figuras que prometem milagres, é importante destacar que ela é consultora de empresas como Nestlé e Kraft, dois monstros da área alimentícia.
Ela afirma que se o regime não incluir comidas e momentos saborosos ninguém consegue segui-lo, o que é uma tremenda verdade. Mais do que relacionar alimentos recomendáveis, Connie propõe uma mudança de hábitos alimentares consumindo pratos saborosos na medida certa, e combinados com alimentos pouco calóricos. Recomenda ainda desafios como: preste atenção no que tem no prato, não coma frente à TV, faça da refeição um momento prazeroso ingerindo sem remorso alimentos saborosos e beba uma taça de vinho que ajudará a comer mais devagar, saboreando o momento, relaxado.
Sempre dizemos que as noticias que afirmam que o vinho, bebido moderada e diariamente faz bem para prevenir doenças, não o transforma num remédio. Pela capacidade de oferecer momentos prazerosos sempre afirmamos que um cálice de vinho, branco, tinto ou rosado ou uma taça de fresco e borbulhante espumante, são benéficos para a saúde da alma e por isso ajudam a saúde do corpo.
O importante da proposta de Connie e chamar a atenção para o bom senso. Nenhum alimento ou bebida faz mal quando ingerido moderadamente, de forma equilibrada, sem resultar em misturas explosivas. É a forma mais eficaz de fazê-lo sem remorsos, sem aumentar a já pesada situação de estreasse na qual geralmente vivemos.
Faça do vinho ou do espumante seus fieis companheiros nessas horas. Com certeza ajudarão para que sejam mais prazerosas.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Meu livro

Como já anunciara, foi lançado meu livro "Vinhos e Espumantes, degustação, elaboração e serviço" pela editora AGE. Este livro tem todo o conteúdo do primeiro livro, revisado e atualizado, com um amplo capítulo sobre espumantes.
Pode ser adquirido nos seguintes locais:

Revistaria Cameron – Bourbon Country
Livraria Cultura – Bourbon Country
Livraria Roma – Iguatemi Porto Alegre
Livraria Saraiva – Iguatemi Porto Alegre
Revistaria Cameron – Bourbon Assis Brasil
Livraria Cervo – Bourbon Assis Brasil
Livraria do Aeroporto Salgado Filho
Revistaria Cameron – Bourbon Ipiranga
Livraria Cervo – Bourbon Ipiranga
Livraria Saraiva – Praia de Belas
Livraria Roma – Praia de Belas
Livraria Cervo – Shopping João Pessoa
Livraria Siciliano – Rua dos Andradas (centro de Porto Alegre)

WAL-MART – ALVORADA/RS - BIG 91
WAL-MART – AMERICANA/SP - BIG 199
WAL-MART - ARARAS - BIG 151
WAL-MART - BLUMENAU - BIG 123
WAL-MART - BOA VISTA - BIG 53
WAL-MART - CACHOEIRINHA - BIG 10
WAL-MART - CAMBORIU – 200
WAL-MART - CAMPINAS - BIG 87
WAL-MART - CAMPINAS 2 - BIG 89
WAL-MART - CANOAS - BIG 75
WAL-MART - CASA VERDE - BIG 84
WAL-MART - CAXIAS DO SUL - BIG 92
WAL-MART - CRISTAL - BIG 07
WAL-MART - CURITIBA (DAS TORRES) - BIG 06
WAL-MART - CURITIBA - BIG 71
WAL-MART - CURITIBA - BIG 90
WAL-MART - CURITIBA - XAXIM - BIG 55
WAL-MART - CURITIBA PORTÃO - BIG 44
WAL-MART - ESTEIO - BIG 205
WAL-MART - FLORIANOPOLIS - BIG 209
WAL-MART - FOZ DO IGUAÇU - BIG 76
WAL-MART - GRAVATAI - LOJA 208
WAL-MART - GUARULHOS - BIG 69
WAL-MART - JOINVILLE - BIG 04
WAL-MART - JOINVILLE 2 - BIG 97
WAL-MART - LIMEIRA - BIG 99
WAL-MART - LIVRAMENTO - BIG 150
WAL-MART - LONDRINA - BIG 95
WAL-MART - MARINGA - BIG 47
WAL-MART - MOGI-GUACU - BIG 113
WAL-MART - MORUMBI - BIG 16

segunda-feira, 15 de junho de 2009

O eterno esquecido


A vida agitada que enfrentamos todos os dias, impede freqüentemente que lembremos alguns dos pequenos prazeres que a vida nos oferece.
Um pôr do sol, um sorriso, um abraço amigo, um beijo no rosto... compartir uma taça de espumante.
Veja abaixo a dica para combater esta síndrome moderna do esquecimento dos pequenos prazeres.

1 - Coloque uma garrafa de espumante na parte inferior da porta da
geladeira....com o rótulo “olhando para você”
2 - Se após algumas semanas de visitas diárias à geladeira, você não
se sentiu “tentado” a abrir-la...

O PROBLEMA NÃO É O ESPUMANTE....
O PROBLEMA É VOCÊ...
PROCURE UM MEDICO... TALVEZ UM PSIQUIATRA...

Você está imune aos prazeres da vida.. com auto-estima baixa..Você olha para a garrafa de espumante e pensa: “não te mereço” e corre para abrir uma garrafa de coca-light...

NÃO É POSSÍVEL!!!!!!

O prazer de procurar


É freqüente observar como alguns apreciadores de vinhos e espumantes ficam estressados procurando "a qualidade perdida" em listas de discussões, pareceres de especialistas em revistas, jornais e internet.

Parecem não ter segurança para decidir por eles próprios os vinhos que devem gostar. Estão ignorando que nada é mais prazeroso do que garimpar vinhos com a cabeça aberta.

Garimpar em lojas e prateleiras de supermercados, tão condenados por alguns que afirmam equivocadamente que somente vendem vinhos de mediana qualidade!.

Se tomar o trabalho de garimpar, com paciência, sem pressa, deve ser uma tarefa constante de todo aquele que gosta de beber bem sem jogar dinheiro fora.

É assim como se descobrem bons vinhos entre toda e enorme oferta que existe, desde um simples Vin de Pay francês, Vino da Távola italiano e também entre marcas nacionais não tão conhecidas.

Apesar de todos os esforços que os "entendidos" fazem para complicar a vida dos simples mortais, há algumas verdades incontestáveis que são:
1) O vinho "bom" é aquele que dá prazer ao bebê-lo, seja ele branco, tinto, nacional, estrangeiro, barato, caro, novo ou velho. Nada poderá apagar a velha lembrança de um vinho de garrafão, bebido em copo de geleia na companhia de nosso avô.

2) Preço, origem, variedade e safra não são garantia de qualidade e muito menos de "prazer ao bebê-lo".

3) Podemos admitir sem sentimento de culpa, (como já aconteceu comigo) que um Romanée-Conti, que é uma joia rara e digna de ser bebida de joelhos, não é o estilo de vinho que mais nos impacta e pelo qual pagaríamos nem um décimo da fortuna que custa cada garrafa. Claro que estes vinhos se veneram em silencio independentemente do gosto pessoal.
Podemos também, sem o mesmo sentimento de culpa, deleitar-nos com um honesto vinho nacional ou um chileno, argentino ou japonês de preço convidativo.

Quem aprecia vinhos e entende sua natureza sabe que o importante é se desvestir de preconceitos que condenam ou consagram vinhos ou espumantes antecipadamente, e procurar a verdade no copo.

Ele é a prova final e definitiva da capacidade que um vinho possui de nos "tocar"... e deixar marca.

terça-feira, 9 de junho de 2009

O vinho não é remédio


Nos últimos anos, diferentes pesquisas realizadas independentemente por cientistas de varias partes do mundo comprovaram que o vinho, quando consumido de forma adequada, traz benefícios à saúde.
Estes benefícios chamaram a atenção a partir de um trabalho conhecido como “O paradoxo francês” que estudou os motivos pelos quais os franceses, que consomem habitualmente alimentos com altos teores de gordura tinham baixos níveis de colesterol e ainda, altos níveis do bom colesterol, o HDL. Após longas e demoradas pesquisas, chegaram à conclusão que a principal razão era o consumo moderado e habitual de vinhos tintos que possuem no interior da casca uma substância chamada Resveratrol, responsável deste benefício.
A partir deste trabalho outros foram feitos demonstrando mais benefícios. Em minha opinião todos devem ser interpretados com cuidado e nós produtores temos a obrigação de alertar aos consumidores para alguns detalhes:
O vinho não é remédio, não cura nenhuma doença. Traz benefícios sim, quando bebido adequadamente.
O vinho, como toda bebida alcoólica, quando consumido de forma exagerada ou inapropriada, faz mal ao fígado, aumenta os triglicerídios, dá ressaca, é horrível.
O segredo é saber beber, fazer com que a bebida nos proporcione momentos prazerosos, e para isso é necessário faze-lo de forma habitual e moderada. Beber com responsabilidade.
Mas que significa “de forma habitual e moderada”?
Habitual é o consumo quase diário, acompanhando as refeições.
Moderadamente é uma dose de um, no máximo dois copos diários.
Nestas condições o vinho proporciona os benefícios comprovados nas pesquisas.
Aos que bebem socialmente ou esporadicamente em fins de semana, a recomendação é vigiar ainda mais o volume consumido. A falta de hábito torna o organismo mais sensível aos efeitos do álcool etílico.









A vocação


Em países tradicionalmente vitivinícolas como Itália, França, Espanha e Portugal, nos quais a área geográfica ocupada pela uva é grande a distribuída em todo o território, é comum observar a diversidade de variedades de uva e vinhos produzidos. As diferentes regiões, todas centenárias na arte de elaborar vinhos, se mantiveram isoladas ao longo de séculos fazendo com que cada uma delas produzisse uvas ou vinhos diferentes, adequados ao clima e solo de cada uma delas. Algumas regiões fizeram adaptações ou mudanças por diferentes razões.
O exemplo mais famoso foi a região de Champagne, na França, que plantou grandes áreas com uvas tintas como Pinot Noir e Meunier com o objetivo de produzir vinhos tintos de qualidade, a exemplo da Borgogne, localizada ao sul. Devido ao clima excessivamente frio, não conseguiam elaborar produtos de qualidade suficiente para concorrer com os vizinhos e começaram a desenvolver um vinho espumante produzido por acaso. Como se sabe, a origem deste foi o acidente natural da refermentação de vinhos destinados a mesa. Assim, a Champagne descobriu sua verdadeira vocação.
Nos últimos tempos, formadores de opinião do Brasil vem afirmando que a verdadeira vocação da Serra gaúcha, é a produção de espumantes, devido ao clima.
O que há de real nesta afirmação¿
O clima instável, e por isso variável de ano para ano em relação ás chuvas, impede a total maturação das uvas que resultam em vinhos mais ácidos e menos alcoólicos, ideais para espumantes. Mas isto não é suficiente para concluir que sua vocação é somente produzir espumantes. A região, que começou a produzir uvas com a chegada dos imigrantes em 1875, o fez com o objetivo de elaborar vinhos e se preparou para isso. Esteve satisfeita com os resultados até a abertura do mercado que permitiu a entrada de vinhos de outros países, em especial da Argentina e do Chile, de boa qualidade e preço. Ficou evidente que era necessário mudar, em especial a forma de produzir uvas, e o está fazendo. Todos os novos vinhedos, da Serra e de regiões como Campanha e Serra do Sudeste são uma demonstração disto. Novos sistemas de condução com menor produtividade por pé são o caminho para atingir a qualidade que o mercado exige.
O Rio Grande do Sul já é um centro de excelência de produção de espumantes mas com certeza continuará cada ano aprimorando a qualidade de seus vinhos, em especial os tintos.

terça-feira, 19 de maio de 2009

A cor dos vinhos III



A tonalidade
No aspecto dos vinhos tintos a tonalidade mostra a idade ou estado de conservação do produto.
É um conceito relacionado a tons, que variam com o tempo, a luz e a temperatura.
O tempo “passará” mais lentamente se as condições de luz e temperatura foram mais adequadas. Entende-se como adequadas a maior ausência possível de luz e temperaturas baixas (12-15º) e constantes.
O tempo “passará” mais despercebido se a cor do vinho for mais intensa. A intensidade esconde mais a evolução da cor.
A gama de tonalidades varia do vermelho púrpura ao vermelho laranja passando pelos tons intermediários.
Os vinhos jovens têm mais cores vermelhas e quase nenhum reflexo laranja, os vinhos maduros misturam, conforme a intensidade, vermelho com ligeiros tons laranja, e nos vinhos mais envelhecidos predominam os tons laranja. A figura acima mostra os dois extremos da gama, um vinho jovem e um bem envelhecido.
A mudança de cor é resultante da “oxidação” de um componente da cor conhecido como antociano, que é o que primeiro se extrai na maceração, mas também o primeiro que muda.
Como já dissemos, os vinhos com maior intensidade geralmente tem maior carga de taninos e por tal razão demoram mais em adquirir os tons laranja.
A luz e a temperatura alta ou variável aceleram o processo de “oxidação” provocando alterações que não sempre são benéficas. Por isso é fundamental preservar os vinhos destes “inimigos”.
Quanto maior for o tempo de conservação, maior deverão ser os cuidados em relação a estas duas variáveis.

A cor dos vinhos II



Dando continuidade ao tema relacionado á cor dos vinhos abordaremos agora os vinhos tintos.
Nestes vinhos a cor antecipa mais informações que os brancos porque conforme a intensidade pode-se prever a estrutura e conforme a tonalidade a idade ou conservação.
Intensidade: É um conceito relacionado a transparência ou passagem da luz. Quando mais intenso, mais escuro. Quanto menos, mais claro e transparente. Quanto mais intenso, mais robusto, quanto mais claro, mais ligeiro.
Na elaboração de vinhos tintos, há dois fatores que determinam o estilo ou tipo de produto resultante: o grau de maturação da uva e o tempo de maceração.
Grau de maturação da uva: Com a maturação, a uva ganha componentes da cor e estrutura através da maturação da casca e dos taninos, além de álcool e outros que resultam da maturação do suco. Ou seja, quanto mais madura for a uva, mais alcoólico e robusto será o vinho.
Tempo de maceração: Maceração é o contato das cascas com o suco, condição essencial na elaboração dos vinhos tintos já que este último não tem cor. Uvas como Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Pinot Noir e outras tem o suco cristalino e esta e a razão pela qual é possível produzir um vinho “Blanc de noir” – branco de tintas com elas.
O tempo de maceração, que é o tempo em que permanecem as cascas em contato com o suco, determinará a quantidade de componentes contidos na uva, que são extraídos e diluídos no suco/vinho. Como os taninos são mais solúveis no álcool, quando mais prolongada a maceração, maior formação de álcool e conseqüentemente maior extração de taninos. Vale lembrar que estes constituem o “esqueleto do vinho”.
Por todas estas razões os vinhos de cores mais intensas geralmente são mais robustos, encorpados, alcoólicos e saborosos. A figura mostra dois vinhos com diferente intensidade. Fica claro aos olhos qual é o que tem aparência de mais robusto.

Guardar ?


Uma das formas de popularizar o consumo de vinhos é tornar-lo mais simples aos olhos do consumidor e para tal fim é importante desmistificar as “regras” que o rodeiam, e em especial não generalizar.
Esclarecer por exemplo as situações diferentes que determinam as instalações necessárias para conservar vinhos. Se para manter alguns vinhos em casa, em qualquer situação, é necessário dispor de um local com temperatura de 15º, umidade entre 60 e 70%, ao abrigo da luz, sem ruídos, sem trepidações e com arejamento, a solução sempre será construir “outra casa ou apartamento” ou adquirir uma adega climatizada de bom tamanho que custa alguns milhares de reais.
Esta “regra” parece exagerada se consideramos três verdades: o vinho não é perecível como a manteiga, somente alguns suportam guardas prolongadas e a principal delas, foi feito para ser bebido, não para ser olhado. Lembrar sempre que o melhor local para guardar um vinho é na memória.
Nenhum vinho ou espumante sofre variações perceptíveis em prazos de até 3 meses se conservado em condições razoáveis: ao abrigo da luz (em armário, na própria caixa, embrulhado com alumínio) e a temperatura estável e amena (ao redor de 20ºC).
Estas condições são fáceis de serem achadas em qualquer moradia.
Portanto se você quiser ter em sua casa ou apartamento, vinhos e espumantes somente para o consumo de até 3 meses, não fique preocupado em ter uma adega especial climatizada: não é necessária.
No entanto, se você gosta de guardar vinhos, para acompanhar sua evolução por períodos mais longos, de 1, 2 ou mais anos, entenda então que a “regra” que afirma que o vinho quanto mais velho melhor, somente é verdadeira para alguns tipos.
Os vinhos brancos e espumantes tem mais a perder que a ganhar com a guarda. Os vinhos perdem a jovialidade que os caracteriza e os espumantes oxidam.
Os vinhos tintos jovens deixam de serem jovens, ou seja perdem sua principal característica que é a vinosidade e frescor.
Já os vinhos tintos elaborados especialmente para “guarda”, geralmente maturados em carvalho, encorpados e adstringentes, envelhecem lenta e pausadamente quando conservados em condições onde a temperatura é constante e baixa, próxima dos 15º C., ao abrigo da luz e local sossegado. Para estes casos sim é necessário algum investimento sendo o mais recomendado as adegas climatizadas de 12-24-48 e 90 garrafas. Estas ocupam pouco espaço, são bonitas, práticas e construídas de forma tal que garantem as condições de temperatura e umidade ideais.
Ao refletir sobre a necessidade de possuir uma adega especial, examine antes a quantidade e o tipo de vinhos habitualmente consumidos em sua casa, no dia a dia, nos fins de semana, nas reuniões familiares e encontros com amigos. .
Estas informações irão determinar qual é a solução que atende melhor suas necessidades e permitirão tomar uma decisão sensata e apropriada.

terça-feira, 12 de maio de 2009

A rolha


A rolha, insumo que tem como missão vedar a garrafa de vinho, provoca discussões sobre os benefícios ou prejuízos que provoca em função da matéria prima com a qual é feita, cortiça ou material sintético.
A crítica que se faz à cortiça é que, ainda que raramente, oferece o risco de transmitir gosto ou cheiro parecido ao mofo, chamado cheiro de rolha, que pode inutilizar o produto.
A cortiça é a casca de uma árvore centenária chamada “Quercus suber”, que possui características únicas sendo a principal ser permeável ao ar e impermeável ao líquido. Por isso nas garrafas conservadas na posição horizontal, o vinho respira e não vaza. Por respirar através da rolha, o vinho envelhece.
Com o aumento do consumo de rolhas de cortiça e com a necessidade de maior competitividade devido à abertura dos mercados, os produtores de vinho precisaram achar soluções eficientes e baratas. Surgiram então as rolhas de aglomerado, feitas de cortiça moída e colada. Custando 20% da cortiça natural, estas rolhas mantiveram a capacidade de vedação mais perderam a de deixar respirar o vinho. Foram destinadas aos vinhos de consumo rápido, mais baratos. Como este material tem forte tendência de transmitir gosto de rolha aos vinhos devido ao aglomerado, foi desenvolvida uma terceira opção: as rolhas mistas, compostas de uma parte de aglomerado e outra de cortiça natural. São sanduíches com duas extremidades de cortiça natural e um miolo de aglomerado. Com isto se conseguiu evitar o contato do aglomerado com o vinho. Custaram 35-40% da rolha de cortiça natural e foram destinadas a vinhos de qualidade de consumo rápido.
Como nova opção surge agora a rolha sintética que tem um preço algo superior à mista, veda perfeitamente e garante neutralidade de cheiro e gosto. O mercado a olha com desconfiança porque ainda o vinho está associado à cortiça.
Para vinhos de guarda, que serão envelhecidos e precisam respirar, nada irá substituir a cortiça natural de boa qualidade e bom tamanho.
Para vinhos de consumo rápido, após um ou dois anos da safra, as rolhas mistas ou sintéticas atendem perfeitamente.

Risco do gosto de rolha? Faz parte do negócio, assim como errar na escolha do vinho.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Deu a loca na góndola

Recente anuncio num jornal local de uma rede de supermercados de Porto Alegre, oferecia o vinho argentino Santa Ana, supostamente de uvas viníferas, a R$ 6,48 e o vinho brasileiro JP feito com uvas comuns, a R$ 5,94. Como é possível que um vinho, feito COM UVA, percorra mais de dois mil quilómetros, pague impostos, frete e rentabilize o revendedor, possa ser vendido a tão baixo preço? O será que o preço do vinho comum nacional é muito alto?
Até pouco tempo atrás os vinhos importados de nossos vizinhos Chile e Uruguai, chegavam a preços situados entre R$ 15,00 e R$ 20,00, depois entre R$ 10,00 e R$ 15,00 e agora a quase R$ 5,00. Como vai terminar esta concorrência predatória?
Com certeza mal. Quanto mais baratos e ruins, mais dores de cabeça e desconforto proporcionarão aos que os consumam, que deixarão de consumir, que aumentará a oferta, que baixarão os preços... e a qualidade também. Um círculo vicioso.
Por tudo isto estou convencido que a única ferramenta para este mal é a formação do consumidor. Através dela este saberá diferenciar gato de lebre. Saberá tanto que descobrirá que o gato é gato antes de ele diga miau!

Entendendo o vinho

O vinho é o produto resultante da fermentação do suco da uva, sã, fresca e madura.
Apesar desta definição que traduz quanto ele é simples e natural, as pessoas que se aproximam do vinho e o adotam como sua bebida predileta para acompanhar refeições, aumentam o interesse em conhecer sobre suas origens, as uvas, as regiões, os tipos e as formas de guardá-lo e servi-lo.
O mundo do vinho cativa as pessoas e as envolve. Elas não serão mais as mesmas.
Ante esta situação, como adquirir maiores conhecimentos, quais são os passos básicos para que um simples apreciador se transforme num conhecedor médio?
É importante ressaltar que os conhecimentos não ajudarão a descobrir de que produtos gostar e sim das razões pelas quais se gosta.
O primeiro fator de conhecimento é o hábito de consumo moderado e freqüente já que somente assim os sentidos se acostumam a identificar as cores, aromas e sabores dos diferentes vinhos. O consumidor de vinhos é um apreciador progressivo natural por isso, muitos dos que iniciam com vinhos ligeiramente adocicados ou doces, passam com o tempo a apreciar somente vinhos secos e finalmente os tintos, mais complexos e fortes. É uma evolução natural que não exige conhecimentos. Exige educação do paladar acostumado a odores e sabores amáveis, geralmente adocicados.
Vejamos algumas recomendações para as pessoas que querem aprimorar seus conhecimentos:
1) Seja humilde, nunca ache que sabe tudo, aprenda sempre descobrindo novos vinhos, seja curioso.
2) Participe de cursos de degustação, eles ajudarão a entender o vinho e suas variáveis. Todas as pessoas possuem a mesma capacidade de “sentir”, de identificar sensações e por isso todas podem chegar a ser excelentes apreciadores a exemplo dos profissionais treinados. O problema não é sentir e sim interpretar.
3) Visite cantinas brasileiras e no exterior, conhecendo as instalações, as pessoas e suas propostas. Cada cantina tem sua proposta, seu estilo. As cantinas sérias o mantêm ao longo dos anos, ao final forma parte de sua “marca”. Conhecer essas propostas ajuda a escolher de forma mais segura e objetiva.
4) Adquira livros que falem das uvas e dos vinhos das mais variadas regiões produtoras. Através deles conhecerá onde, com que uvas e como são elaborados vinhos famosos como Barolo, Rioja, Chablis, Bairrada, Pomerol, Champagne e muitos outros.
5) Conheça pela ordem, os vinhos de seu país, os dos países vizinhos, os do continente e finalmente os de outras regiões mais distantes. Ninguém levará a sério um apreciador brasileiro que desconheça o que se produz em seu país. Não precisa necessariamente admira-los, mais sim conhece-los.
6) Por mais revolucionários que sejam os avanços nas novas regiões produtoras, o berço da vitivinicultura mundial continua sendo a Europa, em especial França, Itália, Espanha e Portugal. Conhecendo a vitivinicultura destes países será mais fácil entender a do resto do mundo.
7) Finalmente, e o mais importante, beba sempre moderadamente, por prazer, sem a preocupação de gostar de vinhos “da moda”, famosos ou caros. A satisfação de um encontro com o vinho pode estar num simples copo de vinho de mesa ou um fino envelhecido e robusto, desde que seja num ambiente acolhedor, na companhia de nossos afetos. Nada é mais benéfico para a saúde do corpo e da alma.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Enólogo e enófilo

Enologia é uma palavra que vem do grego e é formada pelo radical eno que significa vinho e o sufixo logia que significa estudo, conhecimento, saber. Dela derivam palavras como Enotria que era como os gregos chamavam a Itália e que significa “terra do vinho”, enólogo que identifica quem sabe de vinhos e os faz, e enófilo que é o individuo que gosta, estuda (filo) o vinho.
Como o mundo do vinho desperta nos leigos curiosidade devido a áurea de mistério que se criou em torno dele, tem muita gente falando deste tema e isso faz com que enólogo e enófilo não sempre sejam corretamente diferenciados.
As vezes se confundem ou se deixam confundir. Muitos enófilos que escrevem sobre vinho ou dão cursos ficam felizes e não desmentem quando as pessoas os identificam como enólogos.
Luiz Groff, enófilo, empresário, colunista e escritor paranaense criou uma frase soberba para definir a diferença entre estes dois indivíduos:
"Enólogo é o sujeito que perante o vinho, toma decisões e enófilo é o sujeito que perante as decisões, toma vinho".
Apesar de engraçada esta frase resume a postura de cada um perante o vinho: enquanto o enólogo deve tomar decisões permanentemente, o enófilo desfruta, curte sem compromissos o vinho, suas regiões, suas histórias, seu mundo de cores, aromas e sabores.
As características e qualidade de um vinho resultam de dois fatores de igual importância: a uva e o homem que a transforma em vinho.
A uva não é somente a matéria prima, é a essência do vinho. Um copo de vinho nada mais é do que um copo do suco da uva que o gerou, transformado, conduzido, acabado pelas mãos generosas ou não de um profissional chamado enólogo.
A evolução da videira durante o ciclo vegetativo passa pela brotação, floração, fecundação, formação do grão e maturação. Inicialmente assemelha-se a uma ervilha, depois a uma azeitona verde e finalmente ganha cor porque a pele fica translúcida e deixa passar os raios solares.
Desde o ponto de vista de composição o grão ganha açúcares e perde ácidos por isso no ciclo incompleto há um desequilíbrio entre estes componentes com predominância dos ácidos. Conforme a matéria prima utilizada resultará o vinho, e conforme o clima a matéria prima. Com mais calor e mais amplitude térmica (diferença entre temperatura mínima e máxima em 24 hs) haverá mais açúcares e menos acidez. Com mais chuvas haverá mais diluição dos componentes.
Por isto em anos chuvosos os vinhos são mais ligeiros e menos encorpados e em anos de verão seco haverá maior concentração dos componentes e os vinhos são mais encorpados e robustos.
O enólogo, que é o segundo fator e não menos importante, tem de atuar no vinhedo porque é consciente da importância da uva em seu futuro vinho. Começa a preocupar-se na brotação da mesma lá pelo mês de agosto. Geadas tardias, ventos fortes ou temporais tiram o sono quando ocorridas durante a época de formação e crescimento dos brotos, a floração e a fecundação.
Se a uva for verde e podre, será incapaz de transformar-la num vinho bom, mas será o responsável se apesar de dispor de uma matéria prima adequada, o vinho for medíocre.
Praticar a enologia proporciona ao profissional enólogo a cada ano a sensação de “começar de novo”. A cada 12 meses quando se inicia a safra ele tem a oportunidade de demonstrar quanto é capaz....ou incapaz.
O enólogo não deve ser do tipo “transformista” que tira água, coloca madeira, aumenta acidez e cria vinhos biônicos. Deve atuar como um diretor de orquestra sinfônica que aproveitando o talento de seus músicos e a diferença dos instrumentos executa uma obra soberbamente criada por um autor, a sua maneira, de seu jeito único, incomparável. Para o bom enólogo a natureza é a autora desta obra maravilhosa que é a uva. Ele deve com seu talento, bom senso e uma pitada de tecnologia, materializa-la através de um vinho ou um espumante a sua maneira, de seu jeito único, incomparável. Assim, sua obra despertará nas pessoas ao consumi-la intensos sentimentos de prazer.

A Carta de Vinhos


A carta de vinhos é um dos principais instrumentos para aumentar o consumo de vinhos e espumantes em bares e restaurantes. Assim como os copos de bom tamanho e formato adequado “pedem vinho”, a carta de vinhos quando bem diagramada e ilustrada, estimula o cliente a escolher um espumante seco ou um vinho para harmonizar perfeitamente com os pratos da casa.
Para cumprir esta função, a Carta de Vinhos deve ser bem feita, simples, adequada à culinária e clientela da casa, e estar sempre atualizada e em perfeito estado de conservação. E o que é muito importante, ser entregue de imediato ao cliente e não aguardar que a solicite.
A Carta que apresenta erros de grafia nas marcas, nomes das uvas, vinhos ou regiões, é diagramada de tal forma que precisa de um manual de instruções para achar os vinhos e está pessimamente conservada, impressiona mal. Codorniu não é Cordoniu, Cabernet não é Caberne, Gewürztraminer não é japonês.
A facilidade que a informática oferece possibilita imprimir as folhas da Carta de Vinhos quando há mudança de preços, falta de produto ou entrada de novos. Por esta razão é importante, ao confeccionar a Carta, fazer-la de modo a que possa ser atualizada com facilidade.
A Carta de Vinhos não pode ter preços rabiscados grosseiramente, vinhos sem estoque, novos vinhos escritos com caneta ao pé das folhas.
Cartas nestas condições deixam de ser cartão de visita do estabelecimento e passam a ser amostra grátis do que virá depois.
A Associação Mundial de Sommeliers faz as seguintes recomendações para fazer uma Carta de Vinhos corretamente:
Ordem por tipo: Os diferentes produtos devem ser dispostos em ordem de consumo, Espumantes, Vinhos brancos, Vinhos tintos e Vinhos fortificados como Porto, Jerez, etc.
Ordem por origem: Vinhos do país onde se opera (Brasil) - Vinhos do continente onde se opera (Chile, Uruguai, Argentina, USA) - Vinhos correspondentes a especialidade gastronômica da casa e posteriormente outras origens.
Descrição do produto: Deve ser a mais completa possível com pelo menos as seguintes informações: Marca - Variedade da uva (quando o vinho é varietal) – Safra - Vinícola produtora - Região de origem – Conteúdo - Preço
Textos breves sobre as uvas, os vinhos ou as regiões dos produtos oferecidos, e detalhes como pequenas bandeiras identificando cada país e ilustrações, embelezam e dão categoria às Cartas.
Cartas exclusivas com produtos de uma única vinícola são péssimas e uma ofensa ao cliente já que impossibilitam a maior virtude delas: a livre escolha. Estes estabelecimentos, provavelmente, em troca de melhores condições comerciais também dão exclusividade ao açougue, a padaria, a peixaria, em detrimento da exigência sobre a qualidade dos produtos oferecidos a sua clientela.