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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Guardar é necessário?


Uma das formas de popularizar o consumo de vinhos é tornar mais simples o produto e suas “regras”, descomplica-lo.
Para complicada já basta a vida.

Lógico que o outro extremo, o da banalidade, do descaso, da generalidade não ajuda nem consumidor nem produto.

Um dos temas que frequentemente é tratado de forma generalizada é a conservação de vinhos e espumantes.
E nessa generalização os exageros levam ao desespero as pessoas que se iniciam.

Se para ter alguns vinhos em casa, em qualquer situação, é necessário dispor de um local com temperatura de 15º, umidade entre 60 e 70%, ao abrigo da luz, sem ruídos, sem trepidações e com arejamento, a solução sempre será construir “outra casa ou apartamento” ou adquirir uma adega climatizada de bom tamanho que custa alguns milhares de reais.

Tudo é exagero considerando três verdades:

- O vinho não é manteiga
- Somente alguns suportam guardas prolongadas...e a principal:
- O vinho foi feito para ser bebido, não para ser olhado.

Nenhum vinho ou espumante sofre variações perceptíveis em prazos de até 3 meses se conservado em condições razoáveis: ao abrigo da luz (em armário, na própria caixa, embrulhado com alumínio) e a temperatura estável e amena (ao redor de 20ºC).

Estas condições são fáceis de serem achadas em qualquer moradia.

Portanto se você quiser ter em sua casa ou apartamento somente o consumo de até 3 meses, não fique preocupado por não ter uma adega especial: não é necessária.

No entanto, se você gosta de guardar alguns vinhos já conhecidos, para acompanhar sua evolução por períodos mais longos, de 1, 2 ou mais anos, entenda que os brancos e espumantes tem mais a perder que a ganhar, os tintos jovens deixam de serem jovens com a guarda e os tintos de “guarda”, que foram maturados em carvalho e são encorpados e adstringentes, envelhecem lenta e pausadamente quando conservados em condições onde a temperatura é constante e baixa, próxima dos 15º C., ao abrigo da luz e local sossegado.

Para estes casos sim é necessário algum investimento sendo o mais recomendado as adegas climatizadas de 12-24-48 e 90 garrafas. Estas ocupam pouco espaço, são bonitas, práticas e construídas de forma tal que garantem as condições de temperatura e umidade ideais.

A quantidade e o tipo de vinho que você consome habitualmente irão determinar qual é a solução ideal para cada um.

Atualmente a oferta de vinhos em lojas e supermercados é tão grande e as condições de fornecimento e importação tão seguras que é necessário um bom motivo para ficar guardando vinho.

Escolha um fornecedor de confiança para o vinho diário, para as reservas e as raridades e durma tranquilo. Até porque se por acaso faltar o seu vinho preferido encontrará uma bela razão para ter novas experiências.

É assim, de experiência em experiência que nasce o conhecimento e a segurança.

Ao final, como sempre disse, a compra de vinho é um ato de risco, pode se dar bem ou pode se dar mal, mas sempre se aprende.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Novo Decreto


No meu ponto de vista é urgente uma atualização da legislação brasileira de vinhos no tema relacionado a chaptalização.

Creio que é fundamental criar uma categoria de vinhos finos NÃO CHAPTALIZADOS (ou sem agregado de açúcar exógeno) sem necessariamente fazer uso deste nome. Colocar “não chaptalizado” é como escrever em japonês. Poucas pessoas entenderiam.

Anos atrás (pelo menos vinte) foi feito um estudo por um grupo de enólogos do qual participei sobre novas denominações e se propus reservar a expressão VINHO FINO aos vinhos elaborados a partir de uvas Vitis viníferas SEM CHAPTALIZAR. Os que fizessem uso desta prática seriam denominados simplesmente VINHOS DE MESA DE VINÍFERAS.

Hoje não sei se seria esta a denominação mais adequada mas estou convencido que identificar nos rótulos os vinhos chaptalizados ou não seria fundamental, em especial para o estudo transparente das regiões vitivinícolas que estão surgindo.

Sempre afirmei que o problema de chaptalização não é as poucas gramas de açúcar adicionadas e sim o limitado grau de maturação que conseguem as uvas tintas. Os vinhos não serão melhores nem piores pela chaptalização, mas CERTAMENTE DIFERENTES, mais duros, mais verdes e a escolha da variedade ficaria mais importante.

Anos atrás não se dispunha de ferramentas para detectar o uso de açúcar exógeno na elaboração de vinhos mas hoje as técnicas de análises baseadas nos isótopos de carbono permitem fazer uma avaliação quanti e qualitativa.

Sei que existem interesses individuais que dificultam a rápida aplicação desta mudança via Decreto Presidencial, mas se todos pensassem no futuro e na credibilidade do vinho brasileiro, fariam todos os esforços para consegui-lo.

Seria um estímulo à baixa produtividade, o alto grau de maturação, à produção de vinhos tintos mais longevos e com mais personalidade.

Alem disto, e tal vez o mais importante, seria que gato passaria a ser gato, e lebre passaria a ser lebre.