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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Assim é mais justo...

Impressionar é fácil, difícil é ser discreto.


Ter conhecimento sobre regiões vitivinícolas, suas uvas e seus vinhos é quase uma obrigação para o homem moderno que busca destaque social, por isso as vezes alguns caem na armadilha de "complicar para aparecer". Não deixam escapar as oportunidades que aparecem para mostrar quanto sabem, quanto aprenderam em suas inúmeras viagens pelo mundo. Felizmente é fácil descobri-los, basta deixa-los falar.

Ao descrever, num encontro informal, as sensações que desperta um vinho a pessoa pode tomar dois caminhos bem diferentes: o caminho da grande maioria que o descreve com palavras simples, entendíveis, carregadas de subjetividade já que traduzem a impressão pessoal, ou o caminho trilhado por alguns iluminados que procuram descreve-lo detalhadamente, de forma teatralesca, em especial, no aspecto aromático.

Para auxiliar a degustação técnica e profissional, os enólogos ao redor do mundo propuseram os chamados “descritores aromáticos” que são aromas referenciais que aparecem nos diferentes vinhos. Através deles buscou-se padronizar a linguagem. Como disse, o uso dos descritores aromáticos é uma ferramenta utilizada nas degustações técnicas. Quando usados na simples apreciação do vinho na presença de enófilos parecem pedantes e complicam mais que ajudam.

Em recente degustação onde participaram enófilos, um enólogo presente descreveu um vinho fazendo uso de numerosos descritores como pimenta preta, couro, frutas vermelhas, frutas secas, cassis e outros mais. Quando olhei a pessoa sentada a meu lado ela me disse constrangida: “Eu não senti nada disso, Será que não sei nada”. Eu respondi: “Não fica preocupado, eu também não senti tudo isso”.
Eu acho que “quem muito sente, nada sente”.

Vou relacionar, a título de curiosidade, alguns descritores propostos pelo enólogo Angel Mendoza e também alguns componentes naturais que resultam em aromas conhecidos.

Chardonnay: manteiga, maçã, abacaxi, banana, nozes, melão, baunilha, pão torrado.
Sauvignon blanc: maracujá, pêssego, abacaxi, mel, grama cortada, manga, aspargos.

Cabernet Sauvignon: Pimentão doce, pimenta preta, fumo, coco, tabaco, cedro, azeitona preta.
Malbec: uva passa, ameixa, coro, café, chocolate, baunilha, trufa, cereja.
Pinot Noir: amora, ameixa, cereja, anis, grama cortada, canela, coco.
Nos vinhos de guarda, envelhecidos: nozes, defumado, folhas secas, baunilha, amêndoas tostadas, canela, fungos, trufas, compotas, tabaco, pimenta preta, chocolate.

Componentes naturais responsáveis por alguns aromas dos vinhos:

Aroma de banana: devido a presença de acetato de isso-amila.
Rosas: álcool feniletílico
Amêndoa amarga: aldeído benzoico.
Canela: aldeído cinâmico
Musgo – rosa: linalol
Baunilha: etil-vanilina
Avelã – manteiga: diacetila
Violeta: a-ionoma

Dito isto, agora você escolhe seu caminho.
Se quiser impressionar uma plateia atenta e inocente parta para descrições como:

“Este Chardonnay tem um elegante aroma de acetato de isso-amila com toques de diacetila”

Poucos terão coragem de perguntar “que é isso?”. Alguns respirarão fundo e dirão: “Eu tinha dúvidas sobre a diacetila”

Ou “Este cabernet sauvignon me chama a atenção pelo acentuado aroma de pimentão doce, pimenta preta, fumo, coco, tabaco, cedro e algo de azeitona preta”.

Eu prefiro e recomendo a linguagem simples que consiga traduzir o grau de satisfação (ou não) que um determinado vinho ou espumante nos desperta.

Utilizar palavras ou frases de efeito podem transmitir arrogância e confundir as pessoas.

O momento de apreciar e saborear um vinho é tão prazeroso que é um pecado transforma-lo numa aula incompreensível.
Nesses momentos vale a pena ser discreto, modesto, simples.