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terça-feira, 18 de agosto de 2009

O suco de uva

O Instituto Brasileiro do Vinho demonstra mais uma vez sua capacidade e profissionalismo ao destinar boa parte de seus recursos para apoiar um produto com enorme potencial: o suco de uva.
Uma das virtudes de todo suco natural é ter características organolépticas marcantes da fruta que o gerou. Assim é com o suco de pêssego, laranja e maçã, para citar os mais consumidos.
No caso dos sucos de uva, os provenientes de variedades de origem europeia, utilizadas para obter vinhos finos como Chardonnay, Riesling, Merlot e Cabernet Sauvignon, não apresentam as características da casta, são neutros, sem graça. Já os elaborados a partir de uvas da espécie Americanas e/ou híbridas como Concord, Seibel e Isabel são extremamente ricos em aromas e gosto de uva.
Por esta razão, o suco brasileiro é muito apreciado e raro porque na grande maioria dos países produtores o cultivo das espécies americanas é proibido. O RS já um tradicional produtor e exportador de suco concentrado, e o parque industrial existente desde a década de setenta é um dos mais modernos do mundo.
O património vitícola da Serra Gaúcha é formado por oitenta por cento de uvas da espécie americana e vinte por cento da espécie europeia. Esta espécie encontrou no RS condições óptimas, e até hoje suas uvas são destinadas em boa parte para elaborar vinhos de mesa. A produção de suco de uva até hoje esteve focada no mercado externo porque o consumo interno foi relativamente pequeno.
O estímulo que dará esta atitude do Ibravin ao consumo de sucos naturais de uva resultará em curto prazo em vantagens para produtores e consumidores.
Os produtores destas uvas que não sempre são remunerados adequadamente serão beneficiados pela maior procura desta matéria prima. Muitos deles cultivam também uvas europeias, que com a crise de vendas que sofrem os vinhos finos devido a concorrência dos importados, tem tido pouca procura e preços absurdamente baixos.
As empresas produtoras de suco poderão ver seus negócios prosperarem possibilitando fazer maiores investimentos na cara tecnologia exigida por este produto. Com o aumento da procura, com certeza surgirão pequenos produtores que em virtude do pequeno volume elaborado, conseguirão oferecer ao mercado sucos naturais e integrais diferenciados.
Finalmente será beneficiado aquele que é a razão da existência de todos: o consumidor que irá descobrir e apreciar um produto natural, puro, integral, sem álcool, que reúne todos os benefícios à saúde que os derivados das uvas tintas oferecem devido a presença do resveratrol.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O ciclo anual da videira - Parte 3




Com o aumento lento e gradual das temperaturas, o ciclo vegetativo avança com a evolução do crescimento dos brotos que se desenvolvem e geram os pequenos frutos como se observa na ilustração acima.
Floração e fecundação: Quando os cachos estão formados acontece a floração durante a qual o clima é um importante fator de quantidade e qualidade já que ventos fortes e chuvas podem prejudicar a formação do fruto. Com a fecundação das flores se inicia a formação do grão que inicialmente se assemelha a uma pequena ervilha. Neste momento o crescimento é por multiplicação celular que proporciona aumento do tamanho e o clima influencia menos.
Durante esta fase o grão cresce lentamente e permanece verde e compacto até atingir seu tamanho definitivo quando finaliza o crescimento por multiplicação celular.
Envero ou mudança de cor: Nesta fase, quando o grão não cresce mais, a pele fica translúcida (transparente)e começa a mudar de cor: amarela para as uvas brancas e vermelha para as tintas. Começa assim a fase final de maturação quando o grão completa a formação de seus componentes de cor e açúcares e quando o clima é fundamental para definir a real composição do mesmo.
Maturação: Nesta fase final o clima também desempenha papel fundamental já que a eventual água de irrigação ou chuva se dirige directamente ao grão.
Quando há clima seco, com moderadas chuvas, o grão, por efeito do sol e luminosidade, fica compacto e concentra seus componentes, transformando-se numa fruta ideal para elaboração de vinhos encorpados e potentes. Quando, ao contrário, há excessos de chuva, a grão sofre, além dos efeitos dos ataques do mofo que se formam no ambiente, diluição dos componentes e por tal razão deficientes desde o ponto de vista de carga de componentes. Nestes casos, as uvas resultam em vinhos tintos mais ligeiros.
Tudo isto explica porque no Brasil, nos anos que há excesso de chuvas, os vinhos tintos oferecem um desafio especial aos enólogos que tem de aplicar técnicas específicas para obter o melhor resultado.
Para as uvas destinadas a espumantes, as chuvas prejudicam o estado sanitário que deve ser controlado rigorosamente, mas não tão intensamente no aspecto de componentes já que os vinhos com este destino, podem ser menos alcoólicos e ligeiros.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Torrontés


Hoje tive a oportunidade de degustar o vinho argentino Serrera Torrontés, importado pela Hannover Vinhos de Porto Alegre, nosso distribuidor exclusivo em Porto Alegre. Meu amigo Niels, proprietário da Hannover me enviou para que conhecesse. Confesso que fiquei admirado por encontrar um vinho que reúne expressividade, fineza e leveza num varietal que, apesar de ser emblemático da Argentina, é difícil de lograr quando a uva provêem de Mendoza.
A uva Torrontés é uma uva de origem espanhola da família da Moscatel que foi se adaptando muito bem na Argentina e resultando em clones diferentes conforme o local de produção. O mais famoso é o Torrontés saltenho (de Salta, bem ao norte, quase no limite com a Bolívia) que é muito aromático, com aromas e sabores quase doces. Quanto mais ao sul, menos expressão, por isso minha admiração quando degustei o Serrera.
O vinho é de cor branca dourada pálida, bem brilhante, aromas intensos de uva madura, agradáveis, frescos e persistentes e um gosto frutado muito leve, amável e refinado com equilibrada acidez.
Acho que este vinho é um perfeito companheiro para todo momento, em especial fora das refeições, na beira da piscina ou abrindo uma refeição, sempre bem gelado.
Infelizmente no Brasil há pouco mercado para os vinhos brancos que são descriminados. O novo consumidor do país ainda acha que o verdadeiro vinho é o tinto e demorará para descobrir os atributos do vinho branco. Pena, porque ele é quem perde.