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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

OBRIGADO


Estou viajando com toda minha família pela Argentina rumo a Mendoza onde passaremos alguns dias numa bela casa ao pé da Cordilheira ao fim da qual farei um minucioso relato da experiência porque poderá ser útil para futuros viageiros.

Quero aproveitar a proximidade do fim de 2010 para desejar a todos, em especial a meus seguidores que relaciono abaixo, feliz Natal e um ano 2011 cheio de boas surpresas, paz interior e exterior, saúde de corpo e de alma, bons negócios para quem vive deles, ânimo e coragem para quem está no caminho da aprendizagem e desejos sinceros que um ano mais em nossas vidas, resulte em mais experiência, mais tolerância, mais compreensão, mais afeto, mais garra, mais vontade de continuar lutando pelos nossos ideais. Ao olhar o que fizemos nos alimentaremos para enfrentar o que ainda precisamos fazer.
Desta forma será UM ANO A MAIS.
Se resulta na renovação dos rancores, das frustrações, será UM ANO A MENOS.


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Adriana Marques
aingles
Alex Teixeira
Alf
Andrea Santos
Bianca
Bob
Caren Muraro
Claudia Holanda
Daniel Haas Zanotto
Darci Dani
Dineia
Edgard Piccino
Emerson Zaro
Farandon
Felipe Stanque
Gabriel Vieira Vilhalva
Geovanini Neves
Giniacabral
Gisele Veiga Ravazzi
Henrique Peters Rech
Igor Guedes Prod. Fotográficas
Janilson da Costa Barbosa
Juliana Antoniolli
Leonardo de Araujo
lia.berg
Lu Brito
Marcela Duarte
Marcelo Scavone
Marcus Duarte
Maria Ripardo
Orestes de Andrede Junior
Paulo Campos
Paulo Mazzeron
Paulo Nogueira
Potijr
Quem será o curioso
R. Prado
Rato
Rodrigo Haas Zanotto
Romaine Carelli
Rosa Maria Fuentes Fernandez
Thiago Torres
Vinho para todos
Zeca Ermida

Nome para nosso espumante

Em recente visita á região produtora de espumantes no Rio Grande do Sul, dois jornalistas ingleses declararam que o Brasil precisa achar um nome específico para este produto porque a qualidade obtida permitira ganhar mercados externos com rapidez. Um deles propus “brut do Brasil” o que parece pouco apropriado porque além de ser uma classificação de espumantes em relação aos teores de açúcares, poderia resultar em cenas pitorescas como a de um cliente pedindo ao garçom desprevenido: quero um Demi-sec brut do Brasil.
Pessoalmente acho que demos um grande passo ao erradicar de nosso vocabulário comercial a expressão “champanha e champanhe”, assumindo o nome espumante, antes temido pela associação que tinha com as sidras e filtrados nos quais a uva era a principal ausente. Este nome é simples, bem lembrado e fácil de pronunciar. Além disto, tem uma vantagem: foi assumido pelo mercado consumidor que o associa às melhores marcas.
Infelizmente ainda tem empresas que usam a palavra champagne (sim, na caligrafia francesa!) sob o argumento que a utilizavam antes de 1927, ano da criação da denominação de origem “champagne”.
Também acho que antes de pensar num nome fantasia deveríamos pensar em disciplinar o setor, dando o nome aos bois, fixando normas mais rigorosas de elaboração. Pela legislação atual é possível produzir um espumante pelo método tradicional sem cumprir nenhuma exigência de tempos de maturação e envelhecimento.
Nesse caminho alguns produtores de espumantes de Garibaldi, associados ao Consórcio de Produtores de Espumantes estão dando um exemplo que deveria ser seguido por outras regiões. Foi criada uma marca coletiva que permite ser utilizada pelos sócios desde que cumpram os requisitos de seu regulamento e este determina, por exemplo, que nenhum espumante tradicional pode ter um ciclo de produção inferior a doze meses. Quer maios detalhes, entre no site WWW.cpeggaribaldi.com.br
Como algumas organizações vinculadas ao mundo da uva e do vinho no Brasil estão mais preocupadas no marketing que no ordenamento, é provável que seguindo a recomendação dos visitantes ingleses, seja aberta uma discussão sobre o nome genérico de nossos espumantes. Como há dinheiro sobrando é provável que seja contratada uma grande agencia de criação que proporá algo digno do “premio Nobel” da enologia mundial.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Você sabia? - Viticultura


1. Que “cavalo” é o nome dado ao porta-enxerto?
2. Que “muda” é o nome dado à planta da videira composta do cavalo + enxerto, com raiz, pronta para ser cultivada?
3. Que SO4 é o nome de um dos mais difundidos porta-enxerto, muito utilizado na Europa para o cultivo de variedades finas como Chardonnay e Pinot Noir, de origem americana e que seu nome deriva do nome e local onde foi obtido (Teleki 4 Sel. Oppenheim)?
4. Que a videira precisa em torno de 800 mm de água durante todo seu ciclo vegetativo, e em alguns países, onde há falta desta quantidade é permitida a irrigação?
5. Que a irrigação por “inundação” é aquela na qual a água chega às videiras através de canais abertos na terra?
6. Que este sistema é muito utilizado ainda na província de Mendoza, na Argentina, com uso da água de desgelo?
7. Que o sistema de irrigação por gotejamento é aquele que conduz a água através de finas mangueiras distribuídas nas fileiras, que gotejam na planta e também podem levar nutrientes e adubação?
8. Que a videira reage mal ao excesso de produtividade porque ao não conseguir “alimentar” todos os cachos, estes resultam em frutos pouco menos maduros e com menor carga de componentes, comprometendo a qualidade do futuro vinho?
9. Que o Brasil é um dos poucos países do mundo vitícola que permite o cultivo de uvas da espécie “americana”, proibidas na maior parte do mundo?
10. Que “latada” é um sistema de condução da videira na qual os arames de sustentação da planta são dispostos na posição horizontal formando um teto?
11. Que este sistema, muito utilizado no Brasil, é adequado para uvas americanas, de alta produtividade e resistentes ás doenças ocasionadas pelo excesso de umidade?
12. Que “espaldeira” é um sistema de condução da videira no qual os arames de sustentação da planta são dispostos na posição vertical.
13. Que este sistema, pela boa exposição do fruto aos raios solares, é adequado para o cultivo de uvas da espécie européia como Merlot, Cabernet, Chardonnay e outras utilizadas para elaborar vinhos finos e espumantes?

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Assim é difícil

As estatísticas de comercialização de vinhos finos nacionais e importados até o mês de outubro, mostram um novo avanço destes últimos na participação geral.
Agora 79% dos vinhos comercializados no mercado brasileiro são importados com grande crescimento da Argentina, Chile e Itália. O ano passado esta participação era de 75% e parecia ter chegado ao limite máximo.
Enquanto a carga tributária brasileira sufocar a indústria nacional pouco poderá ser feito. ICM, IPI, PIS, Finsocial, IR, e outros tantos aperfeiçoados pela mais vergonhosa invenção que foi a tal de substituição tributária que onera toda a operação e provoca o pagamento antecipado do ICM sobre suposta margem, impedem que haja uma competição justa. Além de tudo isto há algo estranho nos preços de alguns vinhos, em especial argentinos e chilenos. Como é possível que uma garrafa de vinho fino importado, que é feito com uva, que tem custos de elaboração, de embalagens, de frete, de impostos e ainda recebe os acréscimos das margens do produtor, do importador e do revendedor, chegue às prateleiras a preços situados entre R$ 10,00 e R$ 15,00?
Qual é o milagre? Nenhuma autoridade do setor ou governamental sente curiosidade em saber a fórmula? Será que é somente o efeito dólar barato?
É gritante que há algo estranho. Estes vinhos são os que fazem mais dano ao mercado porque não são estímulo à qualidade nem a superação.
Que pena que passam os anos e a situação se agrava. Quando haverá um impostos fixo que penalize o sub-produto e combata esta concorrência predatória? Esperemos que em breve. Enquanto não vem, tenhamos pena do produtor brasileiro que está sendo condenado a um futuro incerto.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

E estão chegando as festas!!!


As festas de fim de ano são acontecimentos especiais porque reúnem a família ao redor de mesas fartas de comidas e bebidas.
Como geralmente o número de participantes supera o habitual, o anfitrião enfrenta o desafio de administrar bem o serviço das bebidas que quando minimamente planejado, não oferece maiores riscos.
Quanto produto é necessário: O cálculo universal é meia garrafa por pessoa mais nestas ocasiões o consumo aumenta, dependendo também do perfil do convidado. Calcule 3 pessoas a cada 2 garrafas...e mantenha uma reserva “técnica”.
Que servir: É importante lembrar da velha recomendação de evitar o excesso de misturas e principalmente destilados com fermentados. Se quer caminhar seguro vai de fermentados durante toda a noite.
Vinhos: colocar alternativas para que os convidados decidam é uma solução que agradará a todos por isso mantenha vinho branco e tinto a disposição. Cada um decidirá qual é sua melhor companhia.
Espumantes: São presença obrigatória de toda festa. Contrariamente ao tradicional que reserva o final estes vinhos, receba seus convidados com espumante seco (nature ou brut). Uma taça de borbulhante espumante nivela por cima o grupo, o deixa mais leve e alegre. Logo após a recepção coloque a disposição, alem dos já citados, os tipos demi-sec e moscatel espumante para os menos habituados aos secos.
Temperatura de serviço: devido ao clima da época, os vinhos tintos devem ser servidos a temperaturas agradáveis, entre 15 e 16º C o que poderá exigir uma ligeira esfriada na geladeira. Os vinhos brancos devem ser servidos e mantidos entre 10 e 12º e para tal fim basta colocar-los na geladeira durante pelo menos uma hora e depois manter-los num balde com pouco gelo. Os espumantes exigem temperaturas mais baixas por isso o recomendado é esfriar-los e manter-los em baldes ou champanheiras (para duas ou mais garrafas) com abundante gelo. Para esfriar-los é necessário pelo menos uma hora de gelo. O uso de sal ou álcool misturados com a água, que ajuda a baixar mais a temperatura e agilizar o esfriamento, é bom desde que a garrafa não permaneça durante muito tempo. Pode congelar.
Muita gente e pouco balde? Esfrie e conserve em local reservado (cozinha, sala, pátio) utilizando panelas ou geladeiras de isopor. Leve para a sala em baldes individuais ou champanheiras. Lembre que onde há gelo há água e por isso deixe panos e toalhas a disposição para manter o ambiente adequadamente.
Como manter as garrafas abertas: As garrafas de vinho devem ser mantidas fechadas com a própria rolha e as de espumante com feche hermético como mostra a figura. É fundamental contar com esta ferramenta para evitar a perda de gás.
Taças: É um item importante. Para os vinhos é suficiente um único formato com bom tamanho. Para os espumantes a taça tulipa é fundamental, porque ressalta os aspectos visuais e olfativos. Lembre que taças lavadas com detergente e insuficientemente enxaguadas impedem que o perlage dos espumantes se manifeste. Mantenha taças bem lavadas e totalmente secas de reserva .

Finalmente


O principal fator que influi negativamente na característica dos vinhos gaúchos é o grande volume de chuvas que caem na época que antecede a maturação das uvas e a colheita. Nesta fase o grão já adquiriu o tamanho final e a água das chuvas provoca o efeito “balão”. Quando chove muito, o grão se encharca, aumenta de tamanho diluindo os componentes. Quando chove pouco o grão perde peso, se enxuga e concentra os componentes. O resultado?
No primeiro caso o suco, por conta da alta quantidade de água, tem menor porcentagem de açúcares, dos principais componentes da cor e dos precursores aromáticos. Os vinhos elaborados nestas condições são mais ligeiros, frescos e pouco encorpados. No caso dos brancos esta característica não os afeta tanto, porque ligeireza e frescor são próprios desta categoria. Já para os tintos, estas condições impedem obter vinhos robustos, encorpados, que desafiam o tempo e que formam parte das linhas tops das vinícolas. Nós enólogos sentimos uma grande frustração quando as safras são muito chuvosas, porque apesar de contarmos com o que há de mais moderno em tecnologia e recursos enológicos, ainda não conseguimos faze milagres.
Todos os cuidados são tomados em especial no que se refere ao estado sanitário das uvas que tendem a apodrecer antes da maturação.
Os vinhos são ruins quando isto acontece? Não, os vinhos são diferentes e como dissemos, mais ligeiros e perenes. Vinhos de baixa qualidade existem em safras úmidas e safras secas e saem das mãos de enólogos incompetentes que não conseguem, ou não sabem conduzir de maneira adequada todas as variáveis.
Para 2011 as previsões são de uma longa estiagem por conta do efeito “La Niña” que afetará negativamente algumas lavouras, infelizmente, mas ajudará a obter uvas sadias e concentradas para elaborar todo tipo de vinho, porque contrariamente ao que acontece nas safras úmidas, é possível fazer vinhos ligeiros e frescos com uvas enxutas e maduras. Se a estiagem for muito prolongada, em algumas regiões será necessário irrigar moderadamente.
Quando não há a pressão das chuvas é mais fácil escolher a data exata da colheita conforme o tipo de vinho a elaborar, seja branco ou tinto. Nos brancos destinados a espumantes é recomendável colher um pouco antes da maturação total, para garantir a acidez que aportará frescor e nervo ao futuro produto. Esta condição é a responsável pela alta qualidade de nossos espumantes.
Já no caso dos vinhos tintos a estrutura e corpo resultam do tempo de contato entre cascas e suco, fase conhecida como maceração. Quando o objetivo é fazer vinhos tintos mais ligeiros, frescos e fáceis de beber de imediato, a maceração é mais curta e a temperatura de maceração mais baixa. Se o propósito e elaborar vinhos tintos mais encorpados, robustos e longevos, se alonga ao máximo a maceração. O tempo de contato é decisivo porque das cacas são extraídos os componentes da cor e os taninos. Estes últimos, solúveis em álcool e extraídos na fase intermediária e final da maceração, são os responsáveis pela estrutura, constituem o “esqueleto” do tinto.
Bem-vindo seja o tempo seco que permitirá que os bons e dedicados enólogos que atuam no Rio Grande do Sul mostrem sua capacidade. Depois de algumas safras difíceis, tanto eles como os apreciadores de vinho o merecem.