Follow by Email

Total de visualizações de página

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A minissaia

Vocês sabem, e eu também, que o principal assunto deste blog é o vinho, suas uvas, regiões, serviço, curiosidade, etc. Mas durante recente viagem a Brasília para fazer um evento de harmonização com a grande cheff Francisco, tive acesso a um artigo assinado por Adriana Berger, professora de História e Literatura Brasileira que hoje mora em Miami, Flórida, que me encantou tanto que me senti na obrigação de compartir-lo com todos vocês. Desculpem ter fugido momentaneamente do assunto principal mas este artigo é digno de ser lido saboreando uma refrescante taça de espumante.

A MINISSAIA E A LIBERDADE À BRASILEIRA
Voltei preocupada com a teoria e a prática que se alastram pelo nosso país: o da liberdade à brasileira. Pelo que vi em grandes e pequenas cidades o Brasil passa por um momento de grande licenciosidade, vulgaridade, superficialidade, besteirol. Vi meninas dançando em cima de garrafas. Sexo aberto em bailes e shows. Em novelas, programas de entretenimento, o corpo da mulher é usado e abusado. Noventa por cento da programação nacional da TV aberta é sobre cirurgia plástica, cosméticos, penteados, fofocas, brigas domésticas, rezas e “curas”, receitas, remédios, cães e bichos, violência.
Piadas, de bêbado e homossexual. “Psicólogos”, “conselheiras” sentimentais e familiares usam sofrimentos de pessoas em programas sensacionalistas. Há “formadores de opinião” para qualquer assunto. Afirmo, sem medo de errar, que nós precisamos é de formadores de caráter. Há um grande apagão cultural. É como se todos estivessem sonâmbulos. Não se discute nada de profundo, alternativas para o país. A juventude sem sonhos e poesia não tem em quê ou em quem se inspirar.
Contrabando é crime, mas, artigos contrabandeados são vendidos nas ruas na cara da polícia. O cerrado e a floresta, mais destruídos. As cidades em colapso no trânsito e na urbanidade. Crime e violência por toda parte. Milhões de brasileiros nas filas de atendimento da péssima saúde pública. O Brasil continua exportando matéria-prima e importando bugigangas. Baixa produção científica e tecnológica. Cada vez menos formandos em matemática, engenharias, física, química, biologia, ciências exatas.
Se escolas e universidades se comportassem como instituições a formar cidadãos para o equilíbrio social e moral do país discussões públicas velhas e exageradas como essa da minissaia em universidade paulista não prosperaria. O X da questão não está na altura da saia rosa-choque da aluna, mas como, onde e por que foi usada. O que fez parte da imprensa “séria” onde microfones e páginas estão nas mãos de “formadores de opinião”? Usou o assunto para aumentar audiência e tiragem. Isto È critica a Uniban por seu interesse mercantilista. O que fez a revista ao dar capa à minissaia com reportagem cheia de frases do movimento feminista dos anos 60/70? Nenhuma palavra sobre regras, normas, comportamento nas escolas, em sala de aula, respeito mútuo. Destacaram mulheres com os seios de fora em Brasília, defensoras da garota da capa.
A star is born
(Nasce uma estrela)
Com apoio da TV Globo nasce uma estrela nos costumes e no showbiz brasileiro. O cenário se repete. A moça já foi convidada para posar nua. Vai desfilar na escola de samba Porto da Pedra. Em breve poderá ter seu espaço televisivo e ser mais uma formadora de opinião. No programa "Altas Horas" ela sentou-se na cadeira da fama, mas de jeans. Mandou recado para milhões de garotas: “a roupa é minha, visto como quiser, às sextas sempre vou a baladas e já saio de casa vestida e não devo satisfação a ninguém, aquele vestido é um dos mais discretos que uso”.
Recebeu apoio de universitárias de Brasília com os seios à mostra: “se quiser ir nua que vá é a liberdade de cada um, o corpo é meu, ninguém tem nada com isso”. O apresentador do programa com cara de pateta, cercado por estudantes-tietes achando-se o máximo por promover a “liberdade”. Uma aluna de minissaia, saltos altos, super maquiada, produzida para baladas, em aula noturna, no meio de marmanjos, ou está com problemas de aceitação, chamando atenção para ser notada; ou não sabe a diferença entre o vulgar e o popular; ou esta querendo bagunçar com um confronto premeditado.
Nas escolas do mundo todo há normas, uniformes, regras de comportamento onde muçulmanos, cristãos, budistas, ateus, ricos e pobres, educam jovens que continuarão a defender valores e princípios de seus povos e países. Psicólogos, professores, ao perceberem o comportamento da aluna deveriam ter conversado com ela, orientá-la, ajudá-la a superar fobias e rejeições. Não o fizeram. A reação de estudantes foi desmedida, vazia de conteúdo. Sem instituições sólidas, cria-se a liberdade à brasileira.
Em que ou em quem se espelha a aluna do microvestido? O que tem aprendido em ética, valores, comportamento e convivência social? O que ela ouve e vê a seu redor? “Sou livre, visto o que quiser a hora que quiser”. Num país sem retentores morais, com apatia política e cultural, sem critérios, a garota não tem a quem responder ou dar satisfação. Nem em casa, nem na escola, nem à sociedade, nem ao país. “Se, juiz e desembargador podem, eu posso; se deputado e senador fazem, eu também posso fazer; se o presidente, seus ministros, o prefeito, podem, eu também posso”.
A TV incentiva quebradores de regras. Cria espaço para mulher-melancia, samambaia, melão, morango. Popozudas ensinam danças, abrem as nádegas e, se abaixam, para mostrar mais. O programa Fantástico da TV Globo no dia 15 de novembro entrou em milhões de lares promovendo o livro e o filme da ex-prostituta Surfistinha, a garota da mina saia e o concurso Menina Fantástico. A Proclamação da República, data histórica do povo brasileiro não interessa. Não dá IBOPE. Em dez minutos, a TV Globo daria a milhões de jovens uma necessária aula da queda do império, a velha República, a era Vargas, JK, a ditadura militar e em 15 de novembro de 1989 a Nova República.
Estão rasgando páginas de nossa história. A memória nacional se extingue. Com tanta noticia que precisa ser dado ao povo o noticiário noturno (Globo), no dia 16/11, se despediu destacando prostituta de noticia velha de tablóide inglês.
O que ensina e estimula a mais rica e poderosa escola do Brasil? Não há na TV aberta brasileira (concessão pública) incentivo ao cumprimento de leis, a regras de respeito mútuo, à solidariedade e cooperação. Destaques, astros e estrelas, são os da marginalidade, corruptos bem-sucedidos, políticos mentirosos, os da sexualidade vulgar.
Meu querido Brasil: rico por natureza, mas pobre de cidadania, princípios e ética.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O ácido acético


O ácido acético é um ácido orgânico que se forma durante a fermentação alcoólica de forma natural. A quantidade existente no vinho é variável dependendo do tipo de uva, do sistema e cuidados na vinificação, do tipo de leveduras e dos cuidados durante a conservação e envelhecimento. Geralmente nos vinhos brancos os teores são inferiores aos tintos porque são elaborados sem as cascas, a baixa temperatura e são comercializados mais rapidamente. Nestes vinhos os teores são inferiores a 0,40 g/1000 e nos tintos que são elaborados com as cascas, a temperaturas maiores, são maturados em madeira e envelhecidos os teores podem chegar até 0,70 g/1000.
O fato gerador do aumento da acidez volátil é a incorporação de oxigénio ao vinho que provoca a proliferação das bactérias acéticas que atacam o álcool etílico (C3 - CH2OH) e formam o ácido acético (CH3 - COOH). Quando os teores superam 1,0 g/1000 surge o gosto e o aroma de vinagre que altera substancialmente a qualidade do vinho.
As vinícolas utilizam todos os recursos para evitar este problema tão sério, como utilizar uvas em perfeito estado sanitário, reservatórios em bom estado de conservação e higiene (por isso é preferível o aço inoxidável) e sistemas de elaboração que protejam o produto de qualquer proliferação de bactérias.
A recomendação de manter as garrafas em locais obrigados de temperaturas altas e na posição horizontal tem por objetivo este propósito. A rolha, que é permeável ao ar, ganha porosidade quando a garrafa está na posição vertical sem contato com o vinho, e desta forma facilita a formação de colónias de bactérias que poderão atacar o vinho. Este fenómeno não acontece em curto espaço de tempo mas sempre é recomendável tomar estes cuidados. Não há surpresa pior do que abrir uma garrafa de vinho guardada demoradamente para saborear-la num momento especial, e que o vinho esteja estragado pelo alto teor de ácido acético.
Todo o cuidado é pouco!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

ST - Sempre tirando



Este ano de 2009 que está finalizando será lembrado pela indústria vitivinícola brasileira como o ano em que os governos estaduais, numa demonstração de extrema criatividade, implementaram uma nova modalidade de cálculo do ICMS. Chamaram de substituição tributária - ST que eu batizei de "sempre tirando".
A brincadeira consiste em cobrar adiantadamente do produtor, ICM sobre um suposto preço final de venda praticado pelo lojista ou revendedor. Este novo valor de ICM é de 25% sobre um preço de venda final que as cabeças pensantes dos governos estaduais estimam. Como o objetivo é faturar, estimam mais alto que a realidade.
Isto onerou ainda mais a afogada cadeia produtiva. Para os vinhos de mesa, mais baratos e competitivos, foi mortal e será sentido nos volumes a curto prazo minando a base das pequenas propriedades que são sustentadas pela venda das uvas para esta finalidade.
Se a soma de impostos sobre uma garrafa de vinho ou de espumante vendida na prateleira atingia mais de 52% antes deste invento, agora se aproxima dos 55%. Como ser competitivo, como manter uma estrutura produtiva, como investir nos negócios com este irresponsável sócio que leva mais da metade do faturado pela cadeia? Poderia ser um consolo se o dinheiro retorna-se na forma de serviços decentes e primários como saúde, segurança, estradas, transporte coletivo, ensino, etc.
Infelizmente o dinheiro vai para sustentar estruturas de governo absolutamente inoperantes, desvios de todo tipo e algumas obras mais "eleitoreiras".
Até quando empresários, comerciantes e consumidores vamos agüentar esta farra com o dinheiro que geramos?
Enquanto aguardamos vamos ficando com a cara igualzinha à do nosso amigo acima.

domingo, 1 de novembro de 2009

Cristais


Jantando recentemente num restaurante de Porto Alegre percebi que uma mesa ao lado reclamava do garçom a presença de pequenos cristais depositados no fundo da garrafa de vinho tinto. Como o garçom não sabia explicar o motivo deste material e tentando evitar uma má impressão sobre o vinho, me identifiquei como enólogo e expliquei a razão: eram cristais de um sal do ácido tartárico que se formam ao submeter o vinho a baixas temperaturas, absolutamente naturais e que não ofereciam nenhum risco. O vinho era argentino e fora esfriado de forma rápida num balde com muito gelo. É importante ressaltar que em determinadas condições esta cristalização pode ser freqüente: a maioria dos vinhos importados não são esfriados antecipadamente na cantina, o que evitaria este problema porque os cristais seriam formados e retirados através de uma filtração. Não são esfriados por duas razões: a primeira e mais importante é que o frio pode alterar as características organolépticas, principalmente a estrutura de sabor. O segundo motivo é que nestes países os vinhos tintos não são consumidos frios e sim a temperatura ambiente, quase sempre próxima dos dezoito graus.
Por conta do hábito existente em algumas regiões do Brasil de esfriar exageradamente os vinhos, sejam brancos ou tintos, a grande maioria das vinícolas do Brasil, para evitar problemas como o do casal citado, "estabilizam" todos os vinhos.
Se por acaso você enfrentar uma situação destas, não fique estressado. Beba com tranquilidade até os cristais.São compostos do um ácido orgânico chamado tartárico, que se encontra somente na uva. É tão importante que antigamente era chamado de ácido úvico.