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terça-feira, 21 de julho de 2009

O Consumo


O consumo anual brasileiro de vinhos é inferior a dois litros, um dos mais baixos do mundo. Esta quantidade é bem superior no Rio Grande do Sul, em especial na Serra, e vai caindo para o norte do país.
O surpreendente é que este baixo volume é a soma dos vinhos de mesa, finos e espumantes, nacionais e importados.
Muitas pessoas devido ao maior destaque do vinho na mídia, acham que o consumo cresce, o que não é verdade. Nos últimos vinte anos mudaram os “participantes”, mas não as quantidades. Hoje mais de oitenta por cento do volume de vinhos corresponde aos importados enquanto os espumantes nacionais crescem lentamente.
O Instituto Brasileiro do Vinho – IBRAVIN, entendendo que é necessário investir na imagem do produto nacional para aumentar sua participação no mercado acaba de iniciar uma campanha com o slogan: “Abra sua cabeça ao vinho brasileiro”. O emblema é um belo saca-rolha e a campanha melhorará a imagem do vinho brasileiro.
Poderemos esperar também aumento do volume consumido? Com certeza não. O motivo do baixo consumo é cultural e por tal razão difícil de alterar, por isso serão necessários repetidos anos de investimentos.
No Rio Grande do Sul o consumo na metade sul é muito baixo por falta de hábito.
Em boa parte do Nordeste o consumo de scotch durante as refeições é muito superior ao de vinho. Parece incrível, mas é um hábito muito enraizado e difícil de alterar. Nestes lugares também existe o hábito do consumo de cerveja.
Contribuem para frear o aumento de consumo as inúmeras regras que rodeiam os vinhos e espumantes que amedrontam e intimidam as pessoas. São muitas variáveis difíceis de entender: centenas de variedades de uvas, sistemas de elaboração, tipos de madeira, classes como reserva, super reserva, reservadinho, Premium e o novíssimo Ícone. Centenas de regras como temperatura de guarda, de serviço, tipo e formato de copo, possível uso do decanter, abertura antecipada ou não, harmonização de vinhos e pratos, etc. É tanta confusão na cabeça do indefesso consumidor que na grande maioria das vezes este opta pela simples e refrescante “geladinha”.
Será importante que junto a esta magnífica campanha do Ibravin haja um esforço no sentido de que enólogos, enófilos e enochatos simplifiquem o vinho e o deixem mais próximo e accessível dos consumidores.

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