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terça-feira, 9 de junho de 2009

A vocação


Em países tradicionalmente vitivinícolas como Itália, França, Espanha e Portugal, nos quais a área geográfica ocupada pela uva é grande a distribuída em todo o território, é comum observar a diversidade de variedades de uva e vinhos produzidos. As diferentes regiões, todas centenárias na arte de elaborar vinhos, se mantiveram isoladas ao longo de séculos fazendo com que cada uma delas produzisse uvas ou vinhos diferentes, adequados ao clima e solo de cada uma delas. Algumas regiões fizeram adaptações ou mudanças por diferentes razões.
O exemplo mais famoso foi a região de Champagne, na França, que plantou grandes áreas com uvas tintas como Pinot Noir e Meunier com o objetivo de produzir vinhos tintos de qualidade, a exemplo da Borgogne, localizada ao sul. Devido ao clima excessivamente frio, não conseguiam elaborar produtos de qualidade suficiente para concorrer com os vizinhos e começaram a desenvolver um vinho espumante produzido por acaso. Como se sabe, a origem deste foi o acidente natural da refermentação de vinhos destinados a mesa. Assim, a Champagne descobriu sua verdadeira vocação.
Nos últimos tempos, formadores de opinião do Brasil vem afirmando que a verdadeira vocação da Serra gaúcha, é a produção de espumantes, devido ao clima.
O que há de real nesta afirmação¿
O clima instável, e por isso variável de ano para ano em relação ás chuvas, impede a total maturação das uvas que resultam em vinhos mais ácidos e menos alcoólicos, ideais para espumantes. Mas isto não é suficiente para concluir que sua vocação é somente produzir espumantes. A região, que começou a produzir uvas com a chegada dos imigrantes em 1875, o fez com o objetivo de elaborar vinhos e se preparou para isso. Esteve satisfeita com os resultados até a abertura do mercado que permitiu a entrada de vinhos de outros países, em especial da Argentina e do Chile, de boa qualidade e preço. Ficou evidente que era necessário mudar, em especial a forma de produzir uvas, e o está fazendo. Todos os novos vinhedos, da Serra e de regiões como Campanha e Serra do Sudeste são uma demonstração disto. Novos sistemas de condução com menor produtividade por pé são o caminho para atingir a qualidade que o mercado exige.
O Rio Grande do Sul já é um centro de excelência de produção de espumantes mas com certeza continuará cada ano aprimorando a qualidade de seus vinhos, em especial os tintos.

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