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sábado, 25 de junho de 2016

O consumo






Devido ao fato de que o Brasil não é um país tradicionalmente vitivinícola, o consumo permanece muito pequeno e nada indica que será possível reverter esta tendência.
A meu modo de ver há uma leitura errada da situação. Somente um esforço gigantesco em divulgação poderá resultar em aumento de consumo.
Os números de volumes comercializados mostram a realidade.

A população total em 2015 era de 204 milhões e segundo o OBGE já está em algo mais de 206 milhões.
Se excluímos aproximadamente 64 milhões de pessoas com idade inferior a 18 anos, chegaremos a um número de brasileiros APTOS A BEBER de 140 milhões.
Podemos fazer cálculos selecionando mais a população, mas a verdade continua igual, o consumo é ínfimo.

O consumo de vinhos comuns na maior parte doces, feitos com uvas americanas é mais do dobro dos de castas europeias e quase 60% do total.
O desafio então é duplo: aumentar o consumo e conseguir que este consumidor migre para os vinhos secos finos.

Como fazê-lo se a falta de tradição, hábito e cultura trazem consigo alguns fatores que dificultam a propagação do consumo?
Como fazê-lo se a vitivinicultura é importante só regionalmente, não a nível nacional, impacta pouco e desempenho do país e por isso nenhum governante se preocupa por ela?
Como fazê-lo se o vinho é considerado um artigo supérfluo e por isso a cadeia produtiva tem uma carga tributária obscena?

Porque apesar de todos estes fatores negativos há inúmeros positivos.

Porque o consumidor de vinhos brasileiro, contrariamente ao dos países tradicionais que herda o hábito, começa em idade adulta, é uma opção consciente, racional/emocional.
Porque o consumidor logo se apaixona, se envolve, é extremamente curioso, quer saber, quer aprender é progride, educa seu paladar constantemente e não abandona mais este “novo hábito”

Que preocupa que 82% dos vinhos finos comercializados sejam importados?

Sim, mas temos de reconhecer que estes vinhos contribuíram e contribuem para o consumo.
Sim, mas o fato de que 80% dos espumantes comercializados sejam nacionais é uma prova que o problema é confiança, não preconceito que é mais difícil de combater.

O vinho, sem considerar a estúpida carga de impostos que deve ser sempre combatida, passa por momentos bons.

Ganha a imagem de bebida saudável e gastronômica, é considerado benéfico à saúde.
Ganha espaço na mídia espontânea (colunistas, blogueiros, site)
Ganha o apoio de entidades defensoras: SBAVs – ABSs – Confrarias, Clubes, etc.
Recebe apoio através de ações como Feiras, Circuitos, Exposições, Degustações promovidos pelo IBRAVIN
Oferece uma enorme oferta de vinhos de todas as origens e tipos a preços competitivos.
Aumenta constantemente a presença em todos os canais de distribuição como Supermercados, varejos, distribuidores, bares e restaurantes.
A figura do vinho nacional se “humaniza” com o surgimento de cantinas familiares, pequenas, artesanais, que mostram o rosto da produção.
A figura do vinho nacional se fortalece com surgimento de novas regiões produtoras através das quais aumenta a oferta e variedade de vinhos, a representatividade e força do setor e a área de influência da uva e do vinho.

Pelas razões expostas é fácil afirmar que podemos conseguir que o consumo de vinhos cresça e de forma mais acelerada.

Mas isso será possível somente se produtores nacionais e estrangeiros:

- Se unem em ações focadas no benefício do vinho como INSTITUIÇÃO.
- Juntam recursos financeiros oriundos das vinícolas, das entidades e dos governos para promover uma Campanha de divulgação e promoção massiva, continua, inteligente, bem planejada.
- Juntam esforços para conseguir a diminuição da carga tributária que onera os produtos e penaliza as vinícolas.
- Conseguem trabalhar juntos evitando a concorrência predatória, estimulando a produção de vinhos de boa qualidade a preços convidativos.


Tudo continuará igual se não houver um esforço em abandonar posturas arrogantes e infrutíferas. Somente a união total entre produtores locais, estrangeiros e importadores tornará realidade o aumento do mercado consumidor de vinhos e espumantes. Assim todos crescerão.



sexta-feira, 3 de junho de 2016

Bons exemplos que o setor precisa




O Brasil é um pais que surpreende sempre que o tema é a vitivinicultura.

Tem um potencial imenso de consumo se considerarmos a população e o interesse pelo vinho.

Tem uma variabilidade de costumes, climas e gastronomia que oferece oportunidades a todos os tipos, sejam brancos, tintos e espumantes.

Tem uma rede de distribuição ampla e eficiente formada por lojas especializadas de diferentes tamanhos, atacadistas e supermercados localizados em todo o território.

Tem uma oferta variada de produtos importados de preços e qualidades variáveis que impulsionam as vendas por justamente serem importados e as vezes raros.

Tem uma oferta crescente de produtos nacionais de diferentes regiões com excelente qualidade.

Porém, sempre é o porém que atrapalha, tem também a carga tributária mais alta do planeta.

Por isso o consumo não cresce como deveria, as marcas não sobrevivem, as grandes produtoras predominam, a concorrência se torna predatória e tudo fica mais difícil.

Então, o que levaria a pessoas extremamente competentes e exitosas em suas atividades principais, tomar a decisão de iniciar novos empreendimentos vitivinícolas sabendo das dificuldades que enfrentariam?

Eu respondo, uma mistura de coragem, gosto pelos desafios e muita identificação com a causa da uva e do vinho que encanta, apaixona, envolve.

Como todos sabemos a Região da Serra Gaúcha foi a pioneira onde chegaram os primeiros imigrantes italianos em fins do século XIX. Esta região, se desenvolveu e hoje, além dos excelentes vinhos que produz, constitui um dos maiores atrativos turísticos do Rio Grande do Sul.

A segunda região que promete pelos resultados obtidos até agora, é a região da Campanha.

Conheço bem esta região porque realizei e realizo trabalhos de consultoria e posso assegurar pela experiência que adquiri em quase dez vindimas, que ainda dará muito o que falar.

Entendo que é importante reconhecer o magnífico trabalho que dois empresários, como disse acima, extremamente competentes e exitosas em suas atividades principais, estão realizando em benefício da região. São eles Gilberto Pozzan e Valter Hermann Pötter.

Gilberto, junto a seu sócio Giovâni Silveira Peres, iniciou o projeto da Vinícola Batalha em Candiota a qual tenho a honra de prestar serviços de consultoria, com 15 hs de vinhedos, cantina própria e uma filosófica de trabalho voltada à procura da qualidade superior. Sempre entenderam a necessidade do trabalho sério e paciente.

Valter, junto a sua esposa e filhas, iniciou o projeto Guatambu Estância do Vinho em Dom Pedrito, nos campos onde desenvolve atividades na pecuária, ao qual deu um incrível impulso pelo foco na qualidade de seus produtos e a inovação. Os investimentos feitos em tornar o empreendimento auto sustentável são únicos no Brasil.

Destaco Gilberto e Valter porque são exemplos da necessidade que o setor tem de novos personagens, de novos empreendedores que aportem ideias, entusiasmo e conhecimentos.

O setor precisa de pessoas como eles que, mantendo a chama da paixão pelo campo, pela lavoura, pelo trabalho de cantina, aportem a visão empresarial que exige atenção à qualidade dos produtos, ao comportamento do mercado consumidor, à eficiência da logística de distribuição, ao justo posicionamento de preço e à divulgação de suas realizações.

Tomara que novos empresários se inspirem nestes exemplos e decidam, com algum recurso, muita paixão e infinita paciência, iniciar projetos vitivinícolas nas diferentes regiões com potencial no Brasil.