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sexta-feira, 17 de abril de 2009

O sócio indesejado

Há poucos mercados no Brasil tão competitivos como o de vinhos e espumantes. O grande número de produtos que em especial os supermercados oferecem das mais diversas regiões do Brasil e do mundo, feitos com variedades tradicionais ou novas, jovens ou envelhecidos e com preços situados numa larga faixa que vai dos R$ 5,00 a mais de R$ 100,00, faz com que o consumidor fique extasiado pela fartura e aproveite para conhecer rapidamente os mais variados tipos de produto. É natural que nos dias de hoje o fator preço seja um dos principais atrativos.
Nesta situação os produtores brasileiros fazem todo o possível para ganhar competitividade reduzindo custos sem afetar a qualidade nem a apresentação.
Mas como fazê-lo ante a presença de um sócio compulsório indesejado, ineficiente, voraz, que unilateralmente aumenta sua participação a cada ano e já devora mais de 50% do preço final destes produtos?
Como ser mais competitivo se este sócio a cada mês, implacavelmente, comparece para levar sua parte muitos dias antes do recebimento do valor das vendas?
Qualquer empresa faria o possível para se livrar dele, mas infelizmente por ser compulsório, nada pode ser feito.

O mais grave ainda é que este sócio tem três tentáculos, um municipal, um estadual e um federal, que comparecem às empresas separadamente mas com igual fome e inoperância .
Para se ter uma idéia deste peso morto, uma garrafa vendida numa prateleira de um supermercado a R$ 20,00 carrega quase R$ 11,00 de impostos de toda índole que iniciam na compra da uva com o Funrural de quase 3% e num efeito cascata somam 52%.
Os R$ 9,00 restantes são divididos entre a loja, o transporte, a cantina produtora, os fornecedores de insumos como garrafas, rolhas, cápsulas, rótulos e caixas e os produtores de uva.
Nos países tradicionalmente vitivinícolas onde se produzem quase a totalidade dos vinhos importados a carga tributária não ultrapassa 15% e por isso são mais competitivos. Lá o vinho faz parte da cultura gastronômica de suas comunidades e por tal razão é considerado um alimento e tratado de forma diferenciada inclusive desde o ponto de vista tributário.
A abertura de mercado, condição fundamental para todos os países que desejam ser modernos e competitivos, deve antes de tudo, ser justa. Jamais haverá competitividade sem igualdade de condições, sem regras de jogo idênticas. Se não for assim a livre concorrência se transforma em predatória, destruidora, com efeito contrário ao de seu objetivo.
O mais irônico é que quando o setor da uva e do vinho reclama aos sócios desta situação que está levando a falência à região, as cabeças pensantes que o representam recomendam: “Parem de chorar, precisam ser mais competitivos”. É para chorar sim de frustração por não dispor de ferramentas para ao menos diminuir o peso deste sócio faminto.
Você imaginou quanto ganhariam todos, produtores e consumidores, se num arranque de bom senso, eles decidissem retirar porcentagens iguais aos países tradicionais?. O vinho de R$ 20,00 poderia ser vendido a no máximo a R$ 12,00, o consumo seria maior, as cantinas venderiam mais e os produtores aumentariam seus vinhedos para atender toda a demanda.
É triste ter certeza que jamais teremos este sonho realizado!

2 comentários:

Carlos disse...

Adolfo

Concordo em genero e numero com seu artigo. Eu incluiria também o consumidor que tem IR de pessa física para pagar, na maioria das vezes descontado diretamente na fonte, como parte dessa cadeia. Veja quantas oportunidades estão visíveis para aumentarmos o consumo de suas deliciosos espumantes. Somente nosso sócio indesejado não as vê.

Adolfo Lona disse...

Carlos: tem razão. Você me motivou para escrever algo mais sobre a vergonhosa carga tributária que nos sufoca. Obrigado pela participação e um abraço