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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Segunda e última resposta

Talvez seja pelo tipo de atividade que estimula o egocentrismo, o “meu vinho é melhor que o do outro”, ou outra razão, a verdade é que o setor da uva e do vinho gaúcho se caracteriza pela desunião. Nas últimas décadas, por conta da nefasta participação de alguns líderes que se achavam donos do setor, a vitivinicutura brasileira avançou pouco na direção da qualidade. As entidades de classe infelizmente nunca formaram um conjunto e estiveram mais focadas em resolver os problemas imediatos que focadas no futuro. Por isso que muitos de nós fizemos o que estava ao nosso alcance para criar uma entidade maior que sem interferências políticas ou pessoais lutasse pelo setor focada no futuro. E nasceu o Ibravin. Inicialmente totalmente desacreditado pelas mesmas lideranças que achavam ruim qualquer iniciativa que os tirasse do “poder”, depois sem recursos porque o Governo Estadual não cumpria a lei e agora com recursos, mas obsecionado em resolver os efeitos da crise pela qual passam os vinhos brasileiros, e não as causas.

O vinho brasileiro vive dias de angustia e preocupação, o espumante brasileiro vive dias de esplendor e confiança no futuro. Ou seja, o consumidor brasileiro não tem preconceito em relação ao produto nacional, simplesmente confia num e não confia noutro.

A imagem de um produto é a forma como ele é visto pelo consumidor sob duas variáveis: qualidade e preço. Acrescentaria, dentro de certos limites: de produto ruim não gosta nem o fabricante, preço muito baixo cria desconfiança. “Quando a esmola é grande até o santo desconfia” lembram?
O vinho brasileiro tem, como já tinha há pelo menos quarenta anos, um sério problema de imagem e resulta do não cumprimento, aos olhos dos consumisdores, das variáveis citadas. O Ibravin deveria ficar totalmente focado em resolvê-las e não em atacar quem não tem nada a ver com isso. O crescimento importante do mercado nos últimos anos foi devido aos vinhos importados e com certeza não teria acontecido se eles fossem impedidos de entrar. O crescimento teria sido bem mais tímido.

A qualidade de um vinho nasce na matéria prima, madura, sadia e nas boas práticas de elaboração que não contemplem excessos de intervencionismo. Os vinhos tintos, tipo predominante na preferência dos consumidores, são macios quando as uvas atingem um nível adequado de maturação. Sem ela, não maturam os taninos e o vinho é duro, verde, pouco amável, características contrárias ao que os apreciadores buscam. Imaginar que os vinhos argentinos e chilenos vendem porque são baratos é um ledo engano. Devido à maturação das uvas eles são fáceis de beber, agradáveis.

O Ibravin pode ser mais proativo na implantação das ações urgentes que o setor precisa para estimular a qualidade, que como disse é resultante de uvas maduras e práticas adequadas, fazendo mudanças imediatas na Lei de Vinhos e seu Regulamento:

- Para que a diferença entre vinhos de mesa e finos não se restrinja à espécie da uva.
- Para que se proíba a chaptalização na maior brevidade já que uma prática nefasta, não pelas poucas gramas de açúcares quer se acrescentam mas por ser um estímulo a elaborar com uvas verdes. Porque esperar, porque dar um prazo de cinco anos (como determina o decreto em aprovação) se basta um para fazer podas racionais e diminuir a produtividade?
- Para que o uso de expressões como Reserva, Grande Reserva, Premium e Ícone tenha regras e não seja fruto da capacidade criativa de cada produtor.
- Para que seja obrigatório declarar no rótulo quando há uso de chips.
- Para que se estabeleçam prazos de maturação e envelhecimento mínimos para os vinhos finos de qualidade.
- Muitas outras mudanças que seria extenso relaciona-las.

O Ibravin deveria destinar parte de seus recursos a apoiar as entidades representativas de pequenas regiões que buscam a auto regulamentação. Será através delas que a qualidade melhorará porque surgem da vontade de superação de seus participantes.

O Ibravin deveria apoiar os pequenos produtores porque são eles que promovem a cultura da uva e do vinho. Encantam o visitante, tem nome e sobrenome, tem profundo orgulho pelo que fazem, por suas uvas e seus vinhos. Será que uma nova região produtora é importante somente pelo grande vinhedo de uma cantina ou pelo número de pequenos produtores que a compõem? Exemplos recentes mostram que as grandes buscam o lucro rápido sem se importar na consolidação da cultura da uva e do vinho.

Deveria se preocupar mais em combater a sonegação e o contrabando com ferramentas adequadas e não criando um pequeno mostro que é o selo fiscal burocrático e feio.

Outra variável que compõe a imagem é o preço e este inicia no custo. O produto em si com todos os insumos tem custos razoáveis. O problema é a sufocante carga tributária que mais que dobra o custo do produto. Além de sufocante se paga antecipado.
O Ibravin deveria perder o sono tentando resolver este problema. E enquanto não dorme, pensar como negociar com a Argentina um preço de referência (sobre o qual se recolhem os impostos para internalizar) menos ridículo que os u$ 10,00-11,00 por caixa de 12 garrafas. Deveria ser pelo menos u$ 25,00. É muito fácil e barato para uma rede importar vinhos a esse preço e recolher os impostos sobre o resultado após a venda. Este vinho cria uma concorrência desleal que não contribui em nada para a saúde do mercado. Bons vinhos sim, lixo não,,,importado ou nacional.

Já afirmei e o faço novamente: sou contra barreiras sejam elas tarifárias ou não, salvaguardas, quotas ou medidas restritivas. Elas vão estimular a incompetência e os vinhos medíocres. Torço por medidas de apoio para pequenos e grandes, medidas corretivas dos desvios aos que o setor se acostumou, medidas urgentes que amenizem o enorme estrago feito nos últimos dias junto ao mercado consumidor.

Bato palmas ao excelente trabalho de divulgação e promoção que o Ibravin fez, faz e fará dos vinhos e espumantes. É o caminho desde que venha acompanhado pelas ações de estímulo à qualidade e redução de impostos detalhados acima.

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