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sexta-feira, 13 de abril de 2012

Primeira resposta

O Brasil é um pais extremamente generoso, acolhe os estrangeiros de braços abertos, os trata bem, os faz sentirem-se em casa, não os descrimina.
Digo isto com absoluta convicção porque faz quase quarenta anos que vivo neste abençoado pais, tenho filhos, netos e negócios no Brasil e nunca ninguém me fez sentir estrangeiro.

Não serão comentários infelizes de duas pessoas que se autotitulam “defensoras da vitivinicultura brasileira” que vão mudar minha opinião. Porque é justamente esta imensa generosidade que possibilita que estes personagens permaneçam nos representando. Ante a falta de argumentos, o ignorante, que é o embrião do preconceituoso, apela, tenta desqualificar.
E isso tentaram fazer a Dra. Kelly Brusch e Carlos Paviani no Programa Conversas Cruzadas da TVCom ao disser que sou contra as salvaguardas porque sou argentino. À Dra. Kelly não conheço porque é um novo personagem representativo do setor agora mais famosa, mas a Carlos Paviani o conheço bem desde a época da criação do Ibravin. Foi Paviani que adquiriu o Jornal Bon Vivant que criei na década de noventa. Sempre tive por ele muito respeito e manifestei meu apoio ás medidas promocionais que o Ibravin faz do vinho nacional em meu blog repetidas vezes. Com ele em especial fiquei decepcionado porque mostrou uma fase de sua personalidade que desconhecia...e não gostei.

Cheguei ao Brasil em janeiro de 1973 quando havia duas uvas Riesling itálico, a verdadeira e a falsa, sendo que esta última era uma híbrida branca chamada Seyve Wiillard. A proporção de uma e de outra variava conforme a colheita.

A uva chegava às cantinas quase podre porque era transportada em “dornas”, recipientes tronco-cônicos de até 100 quilos, bem esmagada para entrar mais.

Não existiam Cabernet Sauvignon, Merlot, Chardonnay, Sauvignon Blanc e tantas outras que hoje produzem bem no RS.

Em junho de 1988, quando o Sr. Paviani provavelmente era um adolescente e a Dra. Kelli talvez não tivesse nascido, fizemos o primeiro curso de degustação de vinhos para leigos na cantina De Lantier em Garibaldi, com o intuito de expandir a cultura do vinho.

Quando lançamos o Baron de Lantier Cabernet Sauvignon 1987 em 1990 como forma de demonstrar o que a Serra Gaucha conseguiria fazer em termos de vinhos tintos de qualidade, ambos ainda desconheciam a diferença de um branco e um tinto.

Este primeiro artigo é para desabafar ante a intolerância e radicalismo que levará a vitivinicultura brasileira a perder tudo que fez nestes longos anos. A vitivinicultura de um pais se constrói lentamente, com seriedade, inteligência, conhecimento do tema, perseverança, estímulo aos produtores grandes que desovam produção, participam de todos os canais preenchendo espaços e aos pequenos que criam imagem, cativam os apreciadores, promovem as regiões com seus pequenos vinhedos e cantinas. Infelizmente está faltando ás “cabeças pensantes” muito do requerido acima e o que é pior, estão provocando uma ruptura talvez irrecuperável entre grandes e pequenos, quando um é parte do outro, se complementam.

Depois do que ouvi no programa, de pessoas que ao menos na aparência representam o setor, faço um apelo aos empresários da Serra que participaram do desenvolvimento do setor da uva e do vinho para que impeçam esta guerra inútil que não terminará bem. Colocar grandes contra pequenos até que é fácil, já sabemos como termina. Colocar o consumidor contra o vinho brasileiro é uma demonstração de arrogância inaceitável.

O CONSUMIDOR É A RAZÃO DA EXISTENCIA DE TODOS NÓS.

SEM ELE PARA QUE PERMANECER?


No próximo artigo vou expor com mais detalhes as razões pelas quais sou contra selo, salvaguarda, expressão brasileira em rótulos de vinho importado, etc. Contarei algumas verdades dos erros cometidos pelas lideranças nestas últimas décadas.

14 comentários:

Tiago disse...

Estimado Adolfo Lona

Lamento pelo comentário infeliz que Carlos Paviani fez no programa - pelo pouco que lhe conheço imagino o quanto tal frase possa tê-lo chateado, já que todos sabemos que és um defensor ferrenho do potencial do vinho brasileiro.
Enfim... aparentemente a situação só está piorando e nada disso está ajudando na imagem do vinho nacional.

Um abraço
Tiago Bulla
www.universodosvinhos.com

Leandro Ebert disse...

Olá!
para quem não viu o programa citado, pode conferir em:

http://leandroebert.blogspot.com.br/2012/04/debate-sobre-as-salvaguardas-conversas.html

abraços!

CINEMAN disse...

Tens toda a razão no teu desabafo Adolfo. Infelizmente no Brasil paga-se imposto para tudo menos para a estupidez.

Alexandre de Sousa disse...

Prezado Adolfo Lona,
Esses ataques somente revelam uma coisa: desespero, em razão de uma medida absurda que já se voltou contra a vinicultura nacional.
Lamentável o que disseram a teu respeito, um argentino, mais brasileiro que muitos e, ainda, esclarecido.
Abraço!

Chiquinho Badaró disse...

Adolfo, por favor ignore esses medíocres, esses obtusos que não sabem o ser humano que vc é.Eles não entendem que é o consumidor que vai sair vitorioso.Quem são essas pessoas?Daqui a pouco ninguém mais se lembrara delas e vc , já esta na história da viticultura séria do Brasil.Maria Geisse sofreu o mesmo preconceito.Ignore esses idiotas e siga em frente.

Vitor disse...

Adolfo,

Lamentáveis os ataques arrogantes destes donos da verdade.

Receba minha solidariedade. Por sua postura em todo esse imbróglio, vou abrir uma exceção no meu boicote: seus espumantes voltam a ser bem vindos em minha casa.

Bom fim de semana!

Beto Duarte disse...

O Brasil te deve muito meu amigo! Voce faz e fez mais pelo vinho brasileiro do que essa gente pensa que esta fazendo. Estão manchando a imagem do nosso vinho enquanto voce desde que chegou aqui sempre fez ele maior. Eu também sou criticado e até ensaiaram um boicote a minha feira, sabe porque? porque eu quero o melhor para o vinho brasileiro. Eu, voce e tantos outros que brigam contra essa salvaguarda estamos fazendo o bem para o vinho brasileiro. Nunca falei em boicote, nunca vou boicotar, mas nunca vou ficar quieto. Grande Abraço!

alaingles disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Epifânio Augusto Galan disse...

Caro Lona,

não serão comentários irresponsáveis e esdrúxulos que mancharão a sua história e a sua contribuição ao vinho brasileiro!

Os verdadeiramente interessados pelo vinho no Brasil estão com você. Jamais nos calaremos.

Epifânio A. Galan
(vinhosim.blogspot.com.br)

NELVINHOS disse...

Lona,

Não é atoa que aprecio seus vinhos desde que comecei na a trabalhar com vinhos. Parabens pelas palavras, voce é um grande responsavel pela evolução da cultura e consumo do vinho no Brasi.
Grande abraço.
Nelton Fagundes - Sommelier Enoteca Decanter BH

Kelly Bruch disse...

Estou muito triste com a interpretação dada às minhas palavras.
Pediria que o Sr. Lona e demais que assistissem ao programa, cujo link o Sr. Leandro Ebert postou.
Por que eu, descendente também de estrangeiros, desqualificaria alguém por sua origem? Certamente sou mais nova, e em 1988 ainda estava sendo alfabetizada. Mas acredito que posso aprender com os grandes mestres do setor, no qual certamente o Sr. Lona, se encontra.
A melhor defesa não é o ataque, é o respeito. Respeito sinceramente a todos que têm contribuído para o aprimoramento do vinho brasileiro. E, da mesma forma, peço respeito pelo meu trabalho. Se, aos ouvidos de alguém, o que eu disse pareceu uma ofensa, peço desculpas - não foi minha intensão. Assim como também espero que aqueles que me ofenderam com o comentário o tenham feito, espero, pelo desentendimento, e não para desqualificar alguém com o objetivo final de atacar uma ação do setor.
E, sr. Lona, gostaria muito de ter a oportunidade de revê-lo, já que o conheço há algum tempo, para que possamos conversar.

Jose Renato Vidal disse...

Lona. Além de elaborar magistralmente vinhos, poderia sempre escrever sobre este assunto, que também escreve bem, "vinhos sem frescura", ouço isso do Lona desde que o conheci, em Garibaldi, e é exatamente isso que o Brasil precisa.

Parabéns Lona

Netto disse...

Caro Senhor Lona, recomendo que registre sua opinião no processo administrativo que intenta implementação de salvaguardas para o vinho brasileiro no MDIC. Só assim seu posicionamento poderá ser analisado pelos burocratas governamentais que apreciam esta questão e influenciar na decisão. Um posicionamento de uma pessoa com o seu histórico profissional poderá ser decisivo e dessa maneira fazer a balança pender em favor do consumidor.

Consulado do Vinho disse...

Caro Adolfo Lona, meu total apoio ao senhor e aos demais que se opuseram à salvaguarda.
Quanto a Dra.Kelly, eu vi os vídeos postados pelo Leandro e realmente o momento em que ela faz a "brincadeira" alegando que o seu posicionamento é pelo senhor ser argentino é completamente descabido. Ao meu ver, foi uma atitude preconceituosa da parte dela sim. Por exemplo, se ela fizesse essa "brincadeira" com um negro, dizendo que fulano fez tal coisa por ser negro, ninguém teria dúvidas de que se tratava de uma atitude racista, mas como se trata da sua nacionalidade e não da raça, o desrespeito pode não ficar tão evidente, porém continua sendo preconceito.
Fico ainda mais impressionado por este fato envolver uma acadêmica, a qual deveria estar acostumada a ser mais comedida em público.
Mais uma vez, parabéns pela sua posição, Sr. Adolfo Lona.
Um abraço!