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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

CURSO DE VINHOS E ESPUMANTES (3)


A história da uva e do vinho no Brasil
A história da uva e do vinho no Brasil se assemelha à dos países vizinhos como Uruguai, Argentina e Chile e está ligada à religião. Os padres jesuítas que acompanhavam as missões portavam mudas de videira para poder elaborar os vinhos destinados à Santa Missa. Esta introdução da videira era restrita aos conventos e por tal razão não teve maior repercussão ou influência sobre o surgimento da vitivinicultura nestas regiões.
Séc.XVII
Por volta de 1620 o padre Jesuíta Roque Gonzáles da Santa Cruz traz videiras espanholas para a região missioneira de São Nicolau as margens do rio Uruguai.
Séc.XVIII
A imigração açoriana no litoral Gaúcho trouxe vinhas portuguesas. Esta região por ser úmida e baixa fez com que a viticultura não vingasse.
Início do séc.XIX
A chegada de imigrantes Alemães no Vale dos Sinos,gerou uma produção doméstica de vinhos a base de uvas Americanas ( na maioria Isabel).
1875
Chegada dos imigrantes italianos a região da serra gaúcha. Portaram mudas de variedades viníferas italianas como Barbera, Bonarda, Canaiolo, Trebbiano, Moscato e Riesling itálico que cumpriram um papel importante inicialmente. Devido a difícil adaptação das viníferas ao clima chuvoso, as uvas americanas, mais resistentes, foram ganhando espaço no campo e no mercado e isso justifica porque até agora 80% da produção de uvas é de americanas.
1910
Com a construção da estrada de ferro ligando Caxias do Sul à Montenegro foi possível o transporte do vinho até POA. Isto permitiu que a vitivinicultura deixasse de ser estritamente para atender o consumo caseiro.
Década de 30
Como resultado do aumento de volume da comercialização surgem as primeiras cooperativas na região (Forqueta, Garibaldi e Aurora). Os produtores se uniram em entidades formais para possibilitar investimentos em cantina, capacidade e tecnologia para atender a demanda dos mercados que surgiam.
Neste período a Cia.Vinícola Riograndense, começa a produzir outras variedades viníferas como Merlot e Cabernet Franc em sua propriedade (a Granja União) em Flores da Cunha. Esta propriedade deu o nome aos vinhos desta vinícola, que fizeram história no Brasil, pela qualidade e inovação.
Décadas de 60 e 70
Nesta época algumas vinícolas como Mônaco, Salton, Dreher, Peterlongo, Georges Aubert, Cooperativa Garibaldi e Vinícola Riogandense começaram a se destacar participando ativamente no mercado nacional com marcas como Velho Capitão, Precioso, Granja União e Château Duvalier, este último propriedade da Martini e Rossi de São Paulo e elaborado pela Riograndense em Caxias do Sul.
Vinícolas mudam de mão
Já na década de setenta começa uma das etapas mais importantes por conta de chegada de empresas multinacionais á região que adquirem vinícolas locais ou criam suas próprias instalações vitivinícolas.
A Dreher, vinícola familiar fundada em 1910 por Carlos Dreher Filho, líder na venda de conhaque e forte produtor de vinhos finos e de mesa, é adquirida pela firma americana Heublein que alem de possuir vinícola na Califórnia, atuava fortemente em todo tipo de bebidas, em especial destiladas. O interesse da Heublein era o mercado de conhaque.
Outra vinícola adquirida foi a Mônaco, fundada em 1908 pelos irmãos Lourenço e Horácio Mônaco. Em 1977 foi comprada pelo grupo argentino Bodegas Esmeralda (Catena) que permaneceu com ela até 1981 quando a vendeu para Carlos Dreher, ex-diretor geral da extinta Dreher.
Outras empresas estrangeiras criam suas estruturas produtivas
A década de setenta foi também pródiga no surgimento de instalações vitivinícolas de outros grupos como a Martini e Rossi e Maison Forestier, que já atuavam no mercado com marcas próprias produzidas em terceiros e que desejavam integrar suas atividades.
Martini e Rossí inaugurou suas instalações na cidade de Garibaldi em 1973 e fez sua primeira safra em 1974. O objetivo era lançar um espumante de qualidade superior (De Gréville), um vinho tinto ao estilo francês (Baron de Lantier) e preparar-se para assumir a produção do Château Duvalier, que comercializava na época a fantástica quantidade de 600 mil caixas de 12 unidades. Isto aconteceu em 1981.
A Maison Forestier que iniciou suas atividades em 1974, permaneceu produzindo seus vinhos Forestier varietais e reserva na Cooperativa Aurora até 1981, quando inaugurou excelentes instalações na cidade de Garibaldi em 1981.
A vinícola francesa Chandon começou suas atividades na cidade de Garibaldi em 1977 com o nome Provifin (Produtora de Vinhos Finos) porque era uma sociedade entre Chandon, Cinzano e Monteiro Aranha. Em 1977 inaugurou sua cantina e começou a participar no mercado de espumantes finos sob a marca Chandon, permanecendo até hoje como uma das empresas líderes neste tipo de produto.
A entrada das empresas estrangeiras resultou num grande estímulo ao plantio de uvas de qualidade e aos avanços tecnológicos. Os produtores de uva da região começaram a receber mudas importadas certificadas para plantio, recursos para aumento de áreas e melhores preços com o que a qualidade aumentou sensivelmente.
Inovações da viticultura
1) Controle rigoroso sobre a sanidade e origem das uvas.
2) Controle da produção por pé, não controlada anteriormente.
3) Incorporação de práticas como poda curta, poda verde, raleio, que impediam os excessos de produtividade.
4) Controle sobre o uso de adubos, proibindo o uso excessivo de adubos animais como o esterco de galinha, muito usado devido ao baixíssimo custo.
5) Colheitas controladas e programadas com acompanhamento de agrônomos e enólogos.
Inovações na vinicultura
1) Colheita e transporte das uvas em caixas plásticas de 18 quilos em substituição as "dornas" que eram recipientes tronco-cônicos de 100-120 quilos. As uvas desta forma chegavam ás cantinas frescas e perfeitas.
2) Uso de prensas pneumáticas para extração do suco das uvas brancas. Estes equipamentos importados da Europa faziam um trabalho seletivo que permitia extrair as melhores parcelas dos sucos e separar-los.
3) Controle automático da temperatura de fermentação dos sucos brancos. Aliviou o trabalho dos enólogos e permitiu o controle preciso da temperatura melhorando os aromas e a qualidade dos vinhos.
4) Substituição das pipas de madeira por reservatórios de aço inoxidável, mais higiênicos e adequados para os processos de fermentação.
5) Substituição de madeiras inapropriadas como pinho por barricas de carvalho para maturar vinhos tintos.
Com esta nova tecnologia, os vinhos brancos tiveram um salto qualitativo até esse momento nunca visto e os vinhos tintos, como resultado da melhoria de qualidade das uvas, ganharam estrutura, complexidade e longevidade.

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