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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

O hábito

É indiscutível que o hábito de consumir vinhos diariamente em quantidades moderadas traz benefícios para a saúde do corpo e da alma. A todo o momento, novas pesquisas científicas independentes o demonstram.
Quem tem este hábito, o adquiriu pela influência do núcleo familiar onde a garrafa de vinho e a cesta de pão eram presenças constantes nas mesas, ou por decisão pessoal já em idade adulta, encantado pelas virtudes desta bebida milenar.
No primeiro caso, muito normal nas comunidades da Serra Gaúcha que são descendentes de italianos, faz parte dos hábitos gastronômicos e por tal razão não sofre influência do clima, época e local de consumo. As pessoas consomem vinhos locais, simples, honestos e de preço accessível todos os dias das mais diferentes formas, puro, misturado com água, esfriado no verão e a temperatura ambiente no inverno deixando totalmente de lado toda e qualquer cerimônia ou ritual. Nestes casos o vinho é verdadeiramente uma bebida alimento. O consumo nestas regiões é alto, semelhante aos países europeus.
Já quem não tem o hábito do consumo diário e descobre o vinho em idade adulta, se encanta com sua história e seus rituais. Estes rituais, vistos às vezes como tabus, desempenham um papel importante na fase inicial porque conhecer-los e entender-los, faz com que as pessoas se sintam superiores, especiais, diferentes das outras. Talvez por isso muitos consumidores nesta fase, tenham resistência a abrir mão destes rituais porque os consideram inerentes ao consumo do vinho, o que não é verdade. Com o passar do tempo e incorporando o vinho a seus hábitos de consumo as regras passam a ter uma importância menor.
Descobrem que é possível sim, sem risco de cometer um sacrilégio, esfriar um vinho tinto no verão, colocar pedras de gelo num copo de vinho branco consumido como aperitivo ou acompanhando um prato na praia ao na piscina, ou preparar um “refresco” misturando meio copo “long drink” de vinho tinto com gelo e água mineral com gás.
Aqueles que insistem em achar que colocar gelo ou água mineral no vinho é um pecado mortal não estão entendendo, que desta forma os componentes são diluídos sem alterar as características do sabor, deixando o vinho com menor graduação alcoólica e mais refrescante. Desde que o preconceito o permita, não há refresco melhor e mais agradável num caloroso dia, á frente da churrasqueira ou na beira da piscina.
As recomendações relacionadas ao tipo de copo, abertura antecipada, uso de decanter, temperaturas ideais e harmonização devem ser deixadas para momentos especiais, mais formais, quando também se tomam cuidados com a toalha de mesa, talheres, iluminação, etc.
No dia a dia que caracteriza o hábito, o que vale é o momento e o gosto pessoal.
O consumo de vinho, para ser um hábito saudável, tem de estar associado a momentos prazerosos, descomplicados, acompanhados de alimentos.
A presença do vinho na mesa tem de ser algo tão simples e natural como um prato de file grelhado com arroz.

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