Follow by Email

Total de visualizações de página

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Não aceito

Desculpem voltar ao tema da declaração do Sr. Rolland mas fico me perguntando:

- Será que os esforços que as novas regiões estão fazendo para implantar vinhedos de uvas finas conduzidos com critérios técnicos procurando a qualidade são para fazer vinhos estilo coca-cola?

- Será que os investimentos que estão sendo feitos em cantinas pequenas e bem equipadas em regiões como Bagé e Candiota (que eu conheço muito bem) são para fazer vinhos ao estilo coca-cola?

- Será que os novos empreendimentos surgidos em Mendoza e outras regiões na Argentina e no mundo que recuperam vinhedos, aumentam áreas e fazem cantinas modernas e bem equipadas são para fazer vinhos ao estilo coca-cola?

- Será que todas as pequenas vinícolas familiares que surgiram na Serra Gaúcha nas últimas décadas, iniciativas de descendentes de viticultores, foram feitas para fazer vinho estilo coca-cola?

- Será que o consumidor brasileiro é o único no mundo que regride, que caminha para trás, que estraga seu paladar ao invés de apura-lo e por isso com o passar dos anos se aproximará mais do vinho estilo coca-cola do que do verdadeiro vinho?

- Será que todos nós enólogos, que aos olhos do Sr. Rolland não somos capazes de produzir grandes vinhos (os únicos que conseguem são os que recebem sua consultoria), estamos condenados a aprender as fórmulas mágicas da elaboração do vinho do futuro, estilo coca-cola?

- Será que a tendência que existe nos países tradicionalmente vitivinícolas desde os anos setenta de consumir menos e melhores vinhos é desconhecida pelo Sr. Rolland?

- Será que o caminho empreendido por diferentes regiões do Novo Mundo em direção às Indicações de Procedência e Denominação de Origem tem como destino os vinhos coca-cola?

- Será, será, será?

Não, apesar da globalização, do mercado competitivo quase predatório, da banalização dos valores culturais, da entrada permanente de novos consumidores que pouco ou nada conhecem, nada conseguirá transformar o vinho num produto fabricado, padronizado, “esterilizado”, porque o vinho É EXPRESSÃO, CULTURA, TERRA, SOL, NATUREZA, EMOÇÃO, SABOR, COR, CHEIRO, AROMA, SENSAÇÃO... É VIDA.

6 comentários:

Flavio Henrique Silva disse...

Sr. Adolfo,
Mais um brilhante artigo, com o qual concordo plenamente. Imagino que o escreveu com grande emoção, como um chamado àqueles que se deixam levar por uma enxurrada devastadora... de coca-cola!
Permita-me reproduzir seu parágrafo final em meu blog.
Abraços,
Flavio

Adolfo Lona disse...

Caro Flavio:
Obrigado pels palavras.
Fica a vontade para reproduzir.
Abraço

Verde Azul disse...

Caro Sr. Adolfo,

O povo quer rótulo, quer ver notas na mídia, más o conteúdo é o que menos importa, vivemos uma época de inversão de valores, e no Brasil esta muito gritante, quase insuportável.
Forte abraço,
Ed Barros

Carlos André Mores disse...

Senhor Adolfo, em concordância com suas opiniões, e falando sobre terroir, ofereço humildemente minha leitura sobre o tema:
http://oenochato.blogspot.com.br/2012/07/e-o-terroir-estupido.html

[]s,
Carlos André
Enochato de plantão

Adolfo Lona disse...

Carlos André: Li a postagem e posso disser que infelizmente a estupidez da madeira fácil como ingrediente de valor aromático e gustativo nos vinhos ainda existe. Mas creio que o consumidor medianamente preparado (que já foi totalmente despreparado) já não suporta exageros (já é alguma coisa). Gostei do comentário “enólogos acordem”, apesar de entender que uma grande maioria trabalha à serviço dos departamentos de marketing, responsáveis pelas “inovações” as vezes aberrantes.
Abraço

Team-OF disse...

Caro Adolfo
Por mais que meu coração enófilo doa quando lê os comentários do MR, do ponto de vista mercadológico.. ELE TEM RAZÃO.
Se analisarmos os números de consumo de vinho no mundo, ele vem declinando nos mercados maduros, e crescendo levemente nas novas classes médias, especialmente nos BRIC's. Sem querer defende-lo, mas tentando interpretá-lo, creio que a cada dia é mais dificil prover uma diferenciação significativa em termos de produtos, pois as tecnicas e tecnologias são basicamentes as mesmas. O que varia é o terroir, e não necessariamente o consumidor que está em fase de educação se preocupa com isto.
Dai consigo entender o caminho que MR nos coloca como possivel, ainda que eu lamente muito que seja assim.

Forte abraço a todos
Alexandre