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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Preços dos vinhos

Os preços dos vinhos nos restaurantes não seguem nenhuma lógica e por isso variam muito entre estabelecimentos, cidades, regiões e países.
Em recente viagem a Mendoza, a terra da uva e do vinho na Argentina, comprovei mais uma vez que é possível consumir vinhos a preços iguais ou somente algo superiores ao preço de um prato. E não são oferecidos vinhos de qualidade duvidosa, são todos de reconhecida reputação. Com valores tão convidativos, na maioria das mesas há garrafas de brancos e tintos de boa qualidade e o alto consumo atua como estímulo aos preços accessíveis.
Cria-se um circulo virtuoso onde as variáveis convergem para um resultado favorável para todos, clientes e proprietários.
Como fazer para que isto aconteça no Brasil em especial no Rio Grande do Sul, maior estado produtor? Os preços são caros porque há pouco consumo ou há pouco consumo porque os preços são altos? Com certeza as duas variáveis não convergem, se opõem.
Até que os proprietários de restaurantes não entendam que vender vinho é uma forma mais eficaz para aumentar o valor da nota fiscal que a cerveja, água e refrigerantes, pouco haverá de avanços. O consumo de vinhos no Brasil ainda é pequeno mais há poucos países com tanto potencial. É necessário investir. É necessário que os consumidores sejam estimulados a consumir vinhos com cartas acessíveis, bem elaboradas e entregues junto com o cardápio, copos adequados e de bom tamanho e principalmente preços justos e convidativos.
O velho argumento do custo do estoque para justificar as altas margens aplicadas hoje não existe, porque todas as cantinas e importadoras fornecem pequenos volumes, diariamente se for necessário. Atribuir aos preços das vinícolas os altos valores cobrados também tem pouca sustentação, porque a intensa e dura concorrência criada com a entrada dos vinhos importados provocou um reposicionamento de preços favorável aos consumidores. Hoje há uma variada e imensa oferta que permite preparar cartas de vinhos atrativas e completas.
O problema continua sendo as altas margens aplicadas que resultam em preços que assustam o cliente e inibem o consumo.
Alguns restaurantes entregam suas cartas a importadoras que em troca da exclusividade oferecem vinhos e espumantes em consignação. Como, nestes casos, aplicar margens elevadas se custo e risco é por conta do fornecedor? Elaborar uma carta variada, com vinhos e espumantes de qualidade e preços justos, sem a dependência de lojas ou importadoras exige trabalho de pesquisa de preços, qualidade e compromisso de fornecimento. Os proprietários de restaurantes interessados em servir sua clientela com o que há de melhor em qualidade e preço, podem fazer-lo.
Aos clientes que se sentem agredidos pelos preços proibitivos cobrados pelos vinhos e espumantes em alguns estabelecimentos, resta a queixa veemente, feita ao maitre, gerente ou proprietário. É a melhor forma de contribuir para melhorar a situação.
Revelar-se consumindo água ou cerveja quando a expectativa era saborear um bom vinho, além de ineficaz é frustrante.

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