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sexta-feira, 29 de julho de 2016

Quando menos é mais





Anos atrás, participando como convidado comentarista de Avaliações da Safra em Mendoza, observava e destacava um fato que a meu ver prejudicava os vinhos da uva mais importante da Argentina, a Malbec.

Havia nessa época a ideia que vinhos de qualidade superior precisavam ter alta graduação alcóolica, superior a 14%.

Por esta razão, boa parte dos vinhos avaliados desta magnífica variedade possuíam 14 – 14,5 ou até 15% de álcool, eram potentes, concentrados, extremamente vigorosos.

Para chegar a este resultado a uva era quase sobre maturada, sendo submetida a longos dias de sol escaldante e pouca água. Os vinhos, na minha opinião, nasciam “cansados”, com aromas e gostos “secos”, herbáceos, evolucionados prematuramente.

Assim eu descrevia os vinhos que avaliava e não sempre era compreendido.
Muitos afirmavam que estava equivocado, que a uva Malbec suportava incólume altos graus de maturação.

Os anos se passaram, continuei me resistindo aos vinhos quase licorosos e agora verifico com muita satisfação, a chegada de uma nova era de vinhos argentinos, a dos vinhos “normais”, com graduação alcoólica média entre 13 e 13,50 %, frescos, vinosos, fáceis de tomar e em especial, agradáveis.

Confesso que com a minha lógica inclinação por beber espumantes, ao final produzo somente este tipo de vinho, hoje prefiro mais os vinhos brancos que tintos.
Talvez por esta razão prefira os vinhos tintos menos “cansativos”, sem pontas, sejam elas de madeira, de acidez ou de estrutura.

Acho que de modo geral o mercado também se inclina por vinhos mais versáteis, que acompanhem bem todo tipo de prato ou simplesmente queijos e torradas.

Os vinhos pesados, marcantes, com excesso de madeira e álcool, parkerizados, parecem ter ficados restritos a quem gosta de “fortes emoções”.

Eu entendo que houve uma mudança de direção, mais voltada à atender todos os paladares sem abrir mão da qualidade.

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