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quarta-feira, 27 de julho de 2016

O rosto do enólogo



Por melhor que seja uva, por melhor que seja o terroir, nenhum vinho será a tradução destas variáveis sem a mão e a alma do homem.

Me desculpem os defensores ferrenhos dos paralelos, das altitudes e das amplitudes, mas de nada adianta dispor de matéria prima excepcional se ela não é tratada, elaborada, conduzida pela mão de um profissional sensível e atento.

Na elaboração de um vinho tinto é o enólogo que decide como será esmagada a uva logo ao chegar à cantina, como será conduzida ao reservatório de elaboração, em que condições de temperatura e tempo será feita a maceração, como será controlada a evolução desta, quando e como será feito e descube, cuidará que a fermentação final transcorra perfeitamente, decidirá quando e como será feita a primeira trasfega, as outras, a maturação, o acabamento, o envelhecimento, etc,etc.

A elaboração de um vinho branco não é uma tarefa mais fácil.

Um espumante então exige esforço em dobro. O longo desafio de elaborar os vinhos, idealizar o assemblage e acompanhar com paciência a tomada de espuma, a maturação e o acabamento.

Ao final, quando o sentimento de tarefa cumprida chegar, virá o reconhecimento do mercado em relação à qualidade da “criatura”, mas dificilmente do esforço do “criador”.

Não faz mal, o enólogo faz produtos que primeiro o encantem e depois encantem os apreciadores.
Essa é a razão da existência da arte e ciência da enologia e todos sabemos disso.

Não há como negar. O vinho é o rosto do enólogo, é a expressão dele, é o resultado de todas as decisões, certas ou erradas, que ele tomou ao longo de todo o processo produtivo.

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