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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Sinto falta


Antecipando uma degustação vertical de Baron de Lantier Cabernet Sauvignon das safras 1991 a 1996 que terei no Rio de Janeiro com meus amigos Alain Ingles, Claudio Werneck, Beto Duarte e alguns convidados, abri uma garrafa deste vinho da safra 1996. Não parece, mais é um produto que desafiou o tempo durante longos dezessete anos.

Confesso que fui invadido por uma profunda saudade. Fazia anos que não sentia num vinho, as delicadas, suteis e dignas marcas do tempo.
Como é gostoso descobrir ao olhar para o vinho, esse brilho que destaca as “rugas” laranjas que os anos de envelhecimento deixam por trás do marrom intenso, dando uma tonalidade que me lembra a pele curtida de um nobre senhor.

O moderado oxigênio incorporado na controlada decantação, parece acordar o vinho de seu prolongado descanso. Os aromas que misturam odores de couro, frutas secas e geleias vão se destacando sem conseguir esconder a vinosidade potente de um verdadeiro Cabernet Sauvignon.
É um vinho para ser bebido com o nariz, tanta é a carga de lembranças aromáticas que me desperta.

Ao ser colocado na boca sinto um primeiro ataque deslumbrante, macio, cálido, envolvente. A pesar dos anos, mantêm viva a potência tânica, a estrutura, o vigor. Os sabores são complexos, quase impossíveis de descrever, mas cativantes.

Este, independentemente da marca, é um vinho que não passa sem deixar sequelas.

Como é gostoso, diferente, único, o vinho velho. O vinho elaborado de tal forma que sua carga de componentes assegure uma maturação lenta e gradual, seguida de um envelhecimento lento, sem presa, cuidadoso, protegido, desafiando o tempo.

Quando o comparo com os vinhos modernos oferecidos no mercado quase entro em desespero.
Porque o que mais abunda são os vinhos padronizados, muito jovens, muita madeira, amaciados com práticas que desprezam o tempo.

Analise uma prateleira de loja ou supermercado e perceberá que noventa por cento dos vinhos tintos são de safras 2011 – 2012 e acredite, 2013.

Frutadinhos, com muito cheiro e sabor de frutas, quase tropicais, enjoativos...

Será que o indefeso consumidor merece somente esse estilo de vinho?

Será que a necessidade do retorno rápido que uma boa parte das vinícolas têm, condenará o consumidor a beber somente esse estilo de vinho?

Meses atrás degustei um excelente Merlot 2007 da pequena vinícola Vallontano do Vale dos Vinhedos que segue o estilo dos vinhos maduros, medianamente envelhecido e que foi uma excelente experiência.
Me demostrou que apesar da tendência predominante no mercado, existe gente que consegue com paciência, boa matéria prima e muita sabedoria, oferecer vinhos dignos de seu nome.

Espero que o natural progresso sensorial que os consumidores de vinho ganham com os anos, direcione o mercado para vinhos mais representativos do esforço e dedicação que o verdadeiro “produtor” de vinhos realiza.

2 comentários:

Jose Renato Vidal disse...

Meu caro Lona,

Tive o prazer de degustar o BL safra 2007, encontrada em um SM em São Paulo. A diferença e entendendo o que vc fala, é que a alma está intacta, os valores não foram consumidos e a perseverança se sobressai. O que mais vejo no mercado, agora com abundância, grande "conhecedores" a postos para te ajudar a escolher o melhor para eles e não aquele que te interessa. Tenho feito garimpos por ai, em minha visitas aos clientes, sempre vou até as gondolas para me alimentar e tenho algumas surpresas muito agradáveis, em lugares nada convencionais.Quando aparece alguém para ajudar, hum.....tome cuidado, na maioria é para complicar...Aliás, temos BL safra 2006 para compra? Se sim, me diz onde. Abs.

Adolfo Lona disse...

Caro Renato: Ganhei uma vertical que estou degustando neste fim de semana no RJ, quando sai da Bacardi. Infelizmente quem comprou as instalações da De Lantier, vinicola Perini, recebeu de graça uma maravilhosa coleção de baron´s formada por pelos menos 4 mil garrafas. Eles venderam a preços estúpidos (10,00 - 15,00) porque não souberam dar valor. Sumiu tudo. Se consigo algo te aviso com a condição que bebamos juntos. Abraço