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sexta-feira, 3 de junho de 2016

Bons exemplos que o setor precisa




O Brasil é um pais que surpreende sempre que o tema é a vitivinicultura.

Tem um potencial imenso de consumo se considerarmos a população e o interesse pelo vinho.

Tem uma variabilidade de costumes, climas e gastronomia que oferece oportunidades a todos os tipos, sejam brancos, tintos e espumantes.

Tem uma rede de distribuição ampla e eficiente formada por lojas especializadas de diferentes tamanhos, atacadistas e supermercados localizados em todo o território.

Tem uma oferta variada de produtos importados de preços e qualidades variáveis que impulsionam as vendas por justamente serem importados e as vezes raros.

Tem uma oferta crescente de produtos nacionais de diferentes regiões com excelente qualidade.

Porém, sempre é o porém que atrapalha, tem também a carga tributária mais alta do planeta.

Por isso o consumo não cresce como deveria, as marcas não sobrevivem, as grandes produtoras predominam, a concorrência se torna predatória e tudo fica mais difícil.

Então, o que levaria a pessoas extremamente competentes e exitosas em suas atividades principais, tomar a decisão de iniciar novos empreendimentos vitivinícolas sabendo das dificuldades que enfrentariam?

Eu respondo, uma mistura de coragem, gosto pelos desafios e muita identificação com a causa da uva e do vinho que encanta, apaixona, envolve.

Como todos sabemos a Região da Serra Gaúcha foi a pioneira onde chegaram os primeiros imigrantes italianos em fins do século XIX. Esta região, se desenvolveu e hoje, além dos excelentes vinhos que produz, constitui um dos maiores atrativos turísticos do Rio Grande do Sul.

A segunda região que promete pelos resultados obtidos até agora, é a região da Campanha.

Conheço bem esta região porque realizei e realizo trabalhos de consultoria e posso assegurar pela experiência que adquiri em quase dez vindimas, que ainda dará muito o que falar.

Entendo que é importante reconhecer o magnífico trabalho que dois empresários, como disse acima, extremamente competentes e exitosas em suas atividades principais, estão realizando em benefício da região. São eles Gilberto Pozzan e Valter Hermann Pötter.

Gilberto, junto a seu sócio Giovâni Silveira Peres, iniciou o projeto da Vinícola Batalha em Candiota a qual tenho a honra de prestar serviços de consultoria, com 15 hs de vinhedos, cantina própria e uma filosófica de trabalho voltada à procura da qualidade superior. Sempre entenderam a necessidade do trabalho sério e paciente.

Valter, junto a sua esposa e filhas, iniciou o projeto Guatambu Estância do Vinho em Dom Pedrito, nos campos onde desenvolve atividades na pecuária, ao qual deu um incrível impulso pelo foco na qualidade de seus produtos e a inovação. Os investimentos feitos em tornar o empreendimento auto sustentável são únicos no Brasil.

Destaco Gilberto e Valter porque são exemplos da necessidade que o setor tem de novos personagens, de novos empreendedores que aportem ideias, entusiasmo e conhecimentos.

O setor precisa de pessoas como eles que, mantendo a chama da paixão pelo campo, pela lavoura, pelo trabalho de cantina, aportem a visão empresarial que exige atenção à qualidade dos produtos, ao comportamento do mercado consumidor, à eficiência da logística de distribuição, ao justo posicionamento de preço e à divulgação de suas realizações.

Tomara que novos empresários se inspirem nestes exemplos e decidam, com algum recurso, muita paixão e infinita paciência, iniciar projetos vitivinícolas nas diferentes regiões com potencial no Brasil.

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