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quinta-feira, 24 de abril de 2014

Considerações sobre uma noticia



Suzana Barelli divulgou em sua coluna da Revista Isto É Dinheiro que a Freixenet e a Miolo assinaram um acordo em 2012 para produzir no Vale dos Vinhedos espumantes com a marca espanhola.

Inicialmente serão 60.000 garrafas mas o projeto espera atingir 1 milhão em cinco anos. A Freixenet já comercializa anualmente no Brasil 840.00 garrafas de Cava, o que não é pouca coisa. É de imaginar que pretendem que a produção local não afete a venda de Cava. O inicio das vendas será no mês de junho.

É evidente que uma gigante e voraz empresa como esta, que vende 120 milhões de garrafas produzidas em diferentes países, não está iniciando operações no Brasil para ficar no milhão de garrafas anuais. Com certeza pretende participar ativamente deste mercado que não para de crescer e tem um potencial incrível já que cada brasileiro bebe anualmente tão somente uma taça de espumante.

Por ser uma bebida que é vista pelo consumidor como nobre, requintada, refrescante e versátil é fácil imaginar que os vinte milhões de litros consumidos anualmente no Brasil poderão ser duplicados em menos de uma década.

Confesso que ao ler a noticia fiquei muito surpreso. Depois de refletir bastante posso agora fazer algumas considerações a respeito:

1. A chegada da Freixenet para produzir em solo gaúcho vai ajudar a expandir o mercado porque é uma empresa que investe fortemente em mídia e ações junto ao mercado. Imagino que atuando como “local” sua postura será de maior foco no mercado e sua evolução.

2. A chegada da Freixenet vai mexer com os “brios” de alguns produtores, em especial dos grandes, que deverão ficar atentos aos movimentos da Freixenet. Acredito que de agora em diante os produtores brasileiros de volume vão perder um pouco o sossego ao qual estavam acostumados. Deverão tirar os olhos dos pequenos que “incomodam um pouco” e fixa-los no novo participante que poderá incomodar muito mais.

3. O posicionamento de preço de R$ 42,00 à garrafa ao consumidor é bastante audaz e mostra uma entrada no mercado de forma bastante agressiva. A carga tributária, o custo do frete e os aumentos constantes dos insumos básicos como garrafa e rolha desafiam a audácia desta declaração.

4. Com preço competitivo, agressividade comercial, boa distribuição (imagino que pelas mãos da Miolo) e esperemos uma qualidade que atenda as expectativas criadas, o mercado de espumantes não ficará igual após a chegada da Freixenet. A boa imagem desta marca está associada ao fato de ser um Cava, espanhol e importado por isso o produto brasileiro deverá estar a altura da sua fama.

5. A Freixenet está lançando um espumante elaborado com Pinot Noir e Chardonnay, uvas sabidamente escassas. Caso o volume chegue rápido, o efeito sobre o mercado de uvas poderá ser impactante porque havendo aumento de demanda, haverá uma possível disparada dos preços com efeitos negativos sobre a competitividade do projeto. Naturalmente isto afetará todos os que utilizam estas uvas em seus espumantes, salvo que a Miolo produza suficiente Chardonnay e Pinot Noir. Imagino que este tema foi muito bem estudado já que produzir um milhão de garrafas ou mais com uvas de qualidade adquiridas de pequenos produtores não será tarefa nada fácil. Até porque na atualidade não existe essa oferta.

6. Ao terem escolhido o método tradicional como sistema de elaboração decidiram pelo caminho diferente dos dois principais produtores gaúchos e líderes no mercado de espumantes. Parecem ter optado por espumantes mais complexos escolhendo um sistema com o qual é mais difícil atender situações de crescimento veloz e mais oneroso devido ao alto investimento em estoque de produto (garrafa, vinho). Talvez seja a razão da escolha do parceiro que não produz pelo método charmat no Vale.

7. Tenho dúvidas sobre o efeito que esta entrada repentina de uma grande produtora estrangeira poderá causar sobre o desenvolvimento do projeto “Vale dos Vinhedos”. Ao final é o primeiro caso de parceria de um produtor local com um produtor estrangeiro "concorrente".
Com certeza o segundo passo da Freixenet no futuro, caso o projeto seja exitoso, será ter as próprias instalações.

8. Será para o bem ou vai ajudar a aumentar ainda mais a concorrência predatória?

9. Estimulará a união ou fomentará a guerra?

Se a chegada da Freixenet é para desafiar-nos em relação ao nível qualitativo dos espumantes que produzimos, bem-vinda seja.

Se a chegada da Freixenet é um estímulo à busca criativa de novas formas de distribuição e comercialização, bem-vinda seja.

Espero firmemente que seja para o bem do mercado e de todo o setor vitivinícola brasileiro. O futuro promissor que nos aguarda não pode ser afetado.

Um comentário:

Nilson disse...

Para esta raça o que importa é o vil metal e nada mais, aqui o poste é do Lona!!