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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Vai que não vai



A recente noticia da proibição da distribuição de caixinhas de tetra de vinho durante o Carnaval paulista, no qual o Ibravin gastou uma boa parte de seus (nossos) recursos, causou espanto em alguns, desilusão em outros. Para mim, é a comprovação do tamanho do equivoco que a entidade maior da vitivinicultura comete ao escolher as ações a tomar para reverter o desempenho preocupante do vinho nacional no mercado brasileiro.

Em primeiro lugar o Ibravin deveria se convencer que o problema é de longo prazo. Tantos anos de erro exigem tantos outros para corrigi-lo.

Não é necessário ser expert em vinhos para entender que o problema é de “imagem”. Basta ouvir 100 consumidores. Noventa deles vão disser que o vinho nacional ´´e ruim, e quando é bom é caro. Preconceito? Os mesmos consumidores ao serem indagados sobre a qualidade dos espumantes dirá “esse sim é bom, melhor até da grande maioria dos importados”. Ou seja, o consumidor confia num e não confia noutro.

Dito isto, cai de maduro que a estratégia de marketing não pode ser focada em ações que popularizem o vinho, o coloquem como uma bebida de consumo massivo, embalado em tetra, companheiro da cerveja.
O volume voltará com a melhora da imagem, não o contrário.

O consumo massivo vai contra as novas tendências de comportamento social.
A cerveja é uma bebida que vende irrealidades, o típico caso de propaganda enganosa.

Nos comerciais aBUNDAm jovens alegres, em situações descontraídas, transbordando saúde e alegria, quando a realidade são latinhas nas cabines de caminhões acidentados, latinhas no assoalho de carros onde jovens perdem a vida diariamente, garrafas e mais garrafas nas mesas de bares e botecos de todas as categorias e classes.

A mensagem do vinho tem de ser responsável, direcionada ao consumo prazeroso, moderado, inserido na gastronomia, saboreando a história, a região, o homem de mãos calejadas que produz as uvas, o dedicado enólogo que acompanha a natureza em sua manifestação.

Neste quesito somos iguais às outras regiões produtoras, das mais famosas às menos, das menores ás maiores. E este caminho não é o mesmo das festas populares como Carnaval, não é a venda massiva de vinho em caixinhas, nas arquibancadas, fomentando o excesso, a irresponsabilidade.

Não é por esse caminho. Pode ser divertido, dar repercussão em alguns jornais mas pouco ajuda a melhorar a imagem do vinho nacional.

O patético da proibição da venda das caixinhas durante o evento é que esta deveria ter sido a primeira informação a ser obtida e demonstra pelo menos ingenuidade.

O ridículo foi, caso fosse permitida a comercialização, faze-lo numa embalagem que não existe no mercado...e provavelmente nunca existirá...não é adequada...não é do vinho.

Haverá repercussão, as comitivas voltarão contentes com o sentimento da missão cumprida.

Mas, será que todo esse dinheiro não poderia ser melhor aplicado, será que tudo não acabará na quarta-feira?

Será que pensar em resolver o problema de estoques que aflige as grandes vinícolas está impedindo pensar em longo prazo, olhando o futuro?

O setor tem a obrigação de refletir sobre isso.

3 comentários:

Flavio Henrique Silva disse...

Caríssimo Sr. Adolfo Lona,
Mais uma bela reflexão. Ao ler a notícia fiquei espantado, pois a idéia das caixinhas me pareceu um equívoco. E nem é questão de pensarmos que o público era incorreto: Era a forma e a ocasião! Espero que a próxima estratégia seja mais bem sucedida.
Abraços,
Flavio

alaingles disse...

Apoiado, Lona! Abr, Alain

Unknown disse...

Ridículo, a anos se tenta esta embalagem e nunca deu certo, eu inclusive participei de muitas campanhas que não deram em nada.

Será que não poderíamos ter mais criatividade??

Abraços, André.