Follow by Email

Total de visualizações de página

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Nossa angustia


No mês de setembro a videira inicia novo ciclo vegetativo, que como a palavra já antecipa, é a fase onde a vegetação nasce, se desenvolve, forma os cachos que maturam e finalmente se entregam, entre janeiro e março conforme a variedade, aos enólogos que serão responsáveis em transformar-los em bons e honestos vinhos e espumantes.
A videira, que descansou durante parte do outono e todo o inverno, recebe a poda que determina a quantidade de frutos que se esperam dela. Esta quantidade deve ser criteriosamente escolhida para permitir que a planta consiga produzir os melhores frutos, maduros e sadios.
Com a elevação das temperaturas da primavera começam a aparecer, como mostra a figura acima, os pequenos brotos que se transformarão em vegetação que sustentará as flores que fecundarão formando o cacho. Este por sua vez crescerá inicialmente por multiplicação celular, aumentará o tamanho e já na entrada do verão mudará de cor, deixará translúcida sua casca para permitir a ação direta do sol. Com ele o fruto entrará na fase final de maturação, tão ansiosamente esperada por todos nós enólogos.
Como não há milagre que transforme uvas ruins em vinhos bons, a expectativa é enorme já que a espera chega ao fim, nada mais pode ser feito. Agora é a natureza que comanda o resultado final.
Com o inicio do ciclo vegetativo aumentam as pulsações do coração dos enólogos. Durante a floração não queremos ventos e chuvas fortes que podem levar parte da produção, durante o crescimento dos brotos e a formação dos cachos, não queremos frios intensos que também prejudicam a produção e desigualam o desenvolvimento. Finalmente, durante a fase de maturação, quando o grão está formado e funciona como um balão, não queremos chuvas intensas que incham o fruto, o encharcam, diluem seus componentes e no pior dos casos, arrebentam o grão que fatalmente vai começar a apodrecer.
Será que é pedir muito?

Um comentário:

Caren disse...

Conseguiste transformar a fisiologia vegetal em poesia! Adorei o texto.
Abraços